Archive for the 'Poetizando…' Category

Capítulo 30

quinta-feira, maio 5th, 2011

Nunca me senti tão eu em mim! Acho que os 30 anos é a idade da conscientização feminina! Sou quem quero ser AGORA! Perdoem meus excessos, transbordo por todos os poros! Não me pintes de Santa, quando digo que transbordo; não me refiro só ao amor! Também transbordo raiva, medo, desejo/tesão e claro que sim o amor também! Tenho em mim todos os sentimentos, uma vontade enorme de pular de pára-quedas, de gritar ao mundo que me encontrei! E me encontrar hoje, é saber me perder também. É saber exatamente o peso das minhas lágrimas e dos meus sorrisos. É saber pagar o preço das minhas escolhas e, principalmente, das minhas palavras. Fazer 30 anos, não é ficar velha não! Jamais! Trinta anos é aquele ponto que a fruta amadurece e pula sozinha lá do alto da árvore! Pra mim, fazer trinta anos é encontrar o eixo. É ser seu próprio centro de equilíbrio. Mas nem por isso não deixar-se desequilibrar, claaro!  Fazer 30 anos não é ter a “crise dos 30”, crise a gente tem desde que nasce até o dia que morre; aos 30 anos a gente só toma consciência de que aquilo é uma crise e que logo passa!

Presente

sábado, abril 16th, 2011

E de repente um poeta me fez poesia. Eu já nem sei mais como foi que nos conhecemos e nem quando foi que ele passou a decifrar a minha alma. Mas tudo tornou-se diferente quando ele passou a ler minhas linhas, entrelinhas, meus pontos, vírgulas e meu interior. Ele passou a fazer tradução de quem eu era, pra que eu mesma soubesse. E escrever depois que ele apareceu, passou a ser menos dolorido e mais inspirador. Não que não doa, porque qualquer sentimento que for verdadeiro; dilacera. Mas com a presença dele a dor fica bonita e sempre surge um sorriso confortante perdido pelo ar. E ele me veste de mulher, aquela que eu não sei ser direito, todos os dias e brinca me trazendo sorrisos toda vez que enaltece  minhas linhas. Ele me chama de bailarina, sem nunca ter sabido o quanto eu quis ser uma. Ele é minha inspiração mais pura e minha massagem mais deliciosa.

 

D de divino, assim que ele é pra mim!

Vento de temporal

terça-feira, abril 5th, 2011

Vento de temporal – Por Iza Freitas e narração de Bruna Cavassani

 

De repente venta temporal naquele salão da menina bailarina. Ela, que continua passando os dias com portas e janelas escancaradas, de repente é surpreendida por ventos de temporal. Molha tudo por onde dança a menina do vestido colorido. O chão fica escorregadio e a menina se arrasta segurando em paredes pra lá e pra cá do salão. Desorientada a menina pensa em fechar portas e janelas. Mas sabe que já não sobreviveria mais trancafiada no escuro que já vivera por tanto tempo. A menina então se segura nas paredes e busca incansavelmente um modo de conter esse vendaval. Por vezes ela senta bem no meio do salão e reza, em meio à ventania, pra que o dia seguinte amanheça azul, e os ventos virem brisa suave que sopram seu ballet. A menina reza pra que a música torne a tocar embalando seu sorriso.

Na Minha Contra Mão

sexta-feira, março 25th, 2011

Esse post é um pouco diferente. Você pode ouví-lo, clicando abaixo, ou então lê-lo normalmente! Cabe a você, leitor, escolher!

 

Iza Freitas – Na Minha Contra Mão

 

Ah! Agradeço à Bruna Mata, pela bela interpretação!!!

 

Nunca fui lá muito boa de localização. Desde pequena me perco pelo caminho. Não sei nunca em que rua estou e muito menos qual delas devo virar pra chegar no destino desejado. E assim sou com meus sentimentos. Nunca sei a hora certa e a errada de sentir as coisas. Eu sempre sofro nos meus momentos felizes porque sei que irão passar. Eu fico calma quando todos se desesperam e me desespero quando todos estão calmos. Eu sempre prefiro comer leite condensado antes da comida, do que depois; de sobremesa. Eu nunca choro quando sinto vontade, sempre choro depois que já passou tudo. Quando estou em pânico eu fico muda ao invés de gritar. Eu sempre calo o que queria falar, e falo o que queria calar. Eu quebro todos os pactos que faço comigo mesma. Sempre me atrapalho pra rezar; começo Ave Maria e termino no Pai Nosso. Eu nego abraços que queria aceitar. Eu faço charme quando quero agradar. Não sei telefonar e fico angustiada pra desligar quando me ligam. Eu nunca olho por onde ando, e sempre quase me jogo de alguma escada sem perceber.  Sempre tem uma escada no meu caminho, em todos os sentidos. Eu nunca sei meu caminho. Não sei qual a rua da vida que eu sempre viro errado. Tudo que eu quero antes de todo mundo; os outros realizam e eu não. Eu sempre quero algo material, mas quando ganho dinheiro acabo nunca comprando. Eu sempre sofro a tristeza dos outros, às vezes até choro por isso. Às vezes eu acho que dramatizo muito, às vezes acho que dramatizo é pouco; isso sim! Eu queria fazer psicologia e me formei em Jornalismo. Eu tenho medo de freqüentar psicóloga e achar mais problemas ainda. Eu finjo gostar das coisas pra agradar quando eu deveria ser sincera, e sou grossa demais quando eu deveria fingir gostar. Eu sempre brigo com quem eu amo, quem eu odeio eu sou educada. Eu não gosto de chocolate, mas como um suflair inteiro quando estou de TPM. Eu sempre me apaixono por homens estranhos. Eu não sei guardar segredos que são meus, só dos outros. Eu morro de vergonha com demonstrações de afeto, mas fico desapontada quando não recebo nenhuma. Eu já não sei pra que lado me atiro. Nem mesmo sei se devo me atirar. Sempre que meus machucados estão muito doloridos, eu faço uma tatuagem nova pra sentir uma dor que veio por escolha minha. Eu sou de opinião, mas acabo sempre fazendo a opinião dos outros. Quero aumentar meu mundo, mas ele só diminui. 54% da minha vida não é de verdade o que sou ou o que penso e gostaria que fosse. Estou no meio de uma avenida com várias ruas pra virar e não sei pra que rua a vida vai me levar. E isso me dói.

 

Soum

domingo, março 13th, 2011

Dedilho palavras que não direi
Sou música muda, de um silencio só meu
Sou trilha sonora de um filme de amor que nunca estreou
Sou luz que penumbra o foco teu
Sou instrumento nunca tocado
Sou batuque que matuta o inabalado
Sou palavra não musicada
Sou silêncio gritante no ouvido surdo
Sou sol, lá, “se”, dó de mim re-tenho-mi então

Tô amando

quarta-feira, março 2nd, 2011

De repente tudo aqui tremeu. Cai no chão, de bunda, sentada, e não sei como levantar. Tô amando o que é fácil amar. Tô amando a coisa mais difícil do mundo. Tô amando amar. To amando o que sempre quis. Tô amando e morrendo de medo de sangrar. E eu vou sangrar. Eu sempre sangro. Dessa vez será pior. Como também já é sem dúvidas a melhor. Tô amando e to louca pra gritar. Tô amando e vou calar. Dessa vez não vou nem comentar. Tô amando e você não vai nem desconfiar. Tô amando e só. Tô amando e sentindo falta. Tô amando e me inspirando. Tô amando sim. Tô amando assim. Você lá e eu aqui. Tô amando só, como sempre foi.

Rosa vermelha-intensa

segunda-feira, fevereiro 21st, 2011

No meu jardim havia um caule cheio de espinhos, todo verde

Um caule espinhoso no meio de um jardim de cores.

Olhava-te de longe, nunca ousei tocá-lo

Tinha medo da força daqueles espinhos pontiagudos

Um uma bela noite de forte sereno, tornou-se flor

Flor vermelha intensa, forte e vibrante

Diante de tamanha majestade, ousei dedilhar tais pétalas encharcadas de sereno

Senti na ponta dos dedos a suavidade de sua textura

Eram saias, muitas delas, em círculos

No centro, quase escondido, havia um coração

Coração que vertia mel; pra poucos

Abelhas e zangões bebericavam seu suave mel

Dera eu ser borboleta pra dançar-te o balé mais bonito que já se viu

És rosa vermelha-intensa no meu jardim de cores

Rego-te de carinho meu

Na contramão de si, só.

terça-feira, dezembro 7th, 2010

Quero ser ouvida

Mas não quero falar!

Dá pra adivinhar o que penso?

Já não dou mais sinais!

Quero um conforto

Um sinal desses qualquer!

Preciso de ajuda

Mas tô me virando bem!

O choro me sufoca

E eu só consigo sorrir

Acho que estou amando!

É só uma de minhas bobagens!

Tenho novidades!

Nada de tão importante!

Tô morrendo de saudade!

Qualquer dia a gente se esbarra!

Ouça o que vou dizer

Vamos falar de você?

O que foi que você disse?

Desculpa, é que hoje não quero falar!

Vamos embora!

Amanhã a gente pode marcar

De costas

segunda-feira, novembro 8th, 2010

E eu que sempre fugi das coisas que já eram fato na minha vida. Eu que sou a famosa “cú doce” oficial, que vivo correndo das coisas que correm em direção a mim. É, estou sempre de costas ao que me pertence e de frente à algo que nunca irei alcançar, algo que nem mesmo sei o que é e se eu quero mesmo.

E aí você entrou na minha vida quando ainda era um menino, daqueles que sonham e guardam nas mãos todos os ideais do mundo. E mesmo de costas, eu te ouvia fazer planos e despejar aquele monte de palavras que você não sabia ainda como direcionar e pra quê. E você falava e era tão barulhento que as vezes me dava uma vontade enorme de te mandar calar a boca. Mas mesmo estando de costas eu podia imaginar seus olhos brilhantes, enquanto você falava mais do que queria. E isso sempre me encantou.

E com o tempo, eu fui me apaixonando ao seu tom e pelo timbre da sua voz. E com o tempo, eu fui me acostumando a ouvir teus planos e acabei até falando dos meus. E com o tempo a gente passou a ter planos quase idênticos. E de tanto que eu gostava dos seus, eu passei a me basear neles, para construir os meus.

Chegou a ter um tempo em que nossos planos chegavam a se encontrar em uma rua ou outra. Eu gostava tanto dos seus planos de menino crescente, e você me incentivava a ser menina-mulher. Nesse tempo a gente se fortalecia na inspiração um do outro. E eu me encantava.

Mas, ao passar dos dias, minha voz ficou mais alta que a sua. E minha voz aumentava à medida em que eu me apaixonava pelo seu timbre, seus planos e o tom que você pincelava a vida. E quanto mais eu aumentava minha voz, mais você abaixava a sua. E um dia nos conversamos aos berros e eu nunca mais esqueci seu tom duro e forte.

E o tempo foi passando e o menino que eu conheci cresceu quase que diante dos meus olhos, se não fossem os 700km de distância. E ao crescer, esse menino me ensinou uma porrada de coisas que eu deveria saber antes dele. E cada vez mais o seu blá blá blá de menino foi se extinguindo e dando espaço à frases curtas, seguras e de efeito. O menino tava a cada dia virando mais homem.

E hoje eu já não estou mais de costas para esse homem. Hoje eu estou de frente, como raramente já estive de frente pra alguém, algum dia. Hoje aprendi a falar baixo, como eu costumava falar antes de conhecer você, menino falante e cheio de idéias. Hoje em dia aprendi a medida exata das palavras. E eu aprendi a falar com o menino, e a baixar o tom, com o homem.

Mas hoje em dia nossas vozes são quase nulas. Assemelham-se a um sussurro. E hoje em dia, quem está de costas na minha frente é você. De costas, há quilômetros de distância e há 15 horas na minha frente.

As palavras coagulam…

quarta-feira, setembro 29th, 2010

Eu não aguento mais meu próprio silencio

Tantas palavras pulsam nas minhas veias

E eu só faço me calar

Esse meu silencio me ensurdece

Mas tudo que vou dizer soa supérfluo

Tudo que tenho a dizer

Perde o sentido

Ao caminhar pra fora de mim

Aqui fora minhas palavras coagulam

Pesam minha alma

E o meu sangue é fraco

Tomo vitamina diariamente

Pra vida toda

Pra ver se crio forças

Pra agüentar o peso das palavras

O peso do amor

Nas minhas veias corre amor

Transbordam amor

Mas amor não dá saúde pra ninguém

Amor enfraquece

Sonhar cansa

Querer gasta energia

E silenciar ensurdece