Archive for the 'Li e gostei!' Category

Quero – Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, outubro 21st, 2009

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Esse poema de Carlos Drummond de Andrade quem falou um trecho dele foi o Willam Bonner no GNT, e a parte final ficou ecoando na minha cabeça, estava ali naquele texto; o meu pior defeito (ou um dos piores) e lendo o poema inteiro, vi o quão eu posso me identificar com essa insegurança toda!

Eu estava lá, e ela me escreveu

sexta-feira, setembro 18th, 2009

Às vezes você tem palavras e sensações engasgadas no peito e não consegue transportá-las pro papel (blog) e de repente surge nas suas mãos textos assim:

Você surgiu nesse momento, onde metade de mim era escudo e a outra metade desejo de que esse alguém insistisse em romper as barreiras, me desarmasse e tomasse conta de tudo em mim… Preenchesse meus vazios e tornasse meus dias mais alegres… Pegou na minha mão no único momento nos últimos tempos em que eu me encontrava desprevenida, desarmada, e isso não poderia ter acontecido. Foram 5 segundos, um toque suave, uma simples troca de olhares, e eu sabia que estava tudo perdido, sabia que então todos os meus contínuos esforços pra me manter segura no meu mundo solitário haviam ido por água abaixo… Mas mesmo sabendo que algo naquele exato instante havia mudado dentro de mim eu ainda acreditava, insistentemente e cegamente que mantinha o controle dos meus sentimentos e daquilo que desejava pra mim. Apesar de perder a razão por vários momentos, e por tomar decisões muitas vezes loucas para simplesmente conseguir te ver mais uma vez, eu sempre acreditei que tudo dentro de mim estava esclarecido, transparente, e acima de tudo sob controle.

E depois de tudo, do avesso que virou minha vida, eu chego à simples conclusão que você faz falta nos meus dias. E eu acho muito engraçado como isso pode ser possível, se, afinal, você nunca esteve realmente presente nos meus dias para que pudesse fazer falta neles…

Mas ando aprendendo a compreender o incompreensível, e deixar de questionar todas àquelas coisas que no fundo sempre sabemos que não tem resposta.

Por: Lí Konishi

… Que traduz tudo aquilo que você gostaria de ter escrito e não conseguiu. Alguém o fez por você, e como NADA É POR ACASO, as coisas são jogadas na nossa frente sem explicação.

Tiê

segunda-feira, agosto 31st, 2009

Assinado EU

Tanta afinidade assim, eu sei que só pode ser bom.
Mas se é contrário,
É ruim, pesado
E eu não acho bom.
Eu fico esperando o dia que você
Me aceite como amiga,
Ainda vou te convencer.

Dois

E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
e você vai me ensinar as suas verdades
e se pensar, a gente já queria tudo isso desde o inicio.
De dia, vou me mostrar de longe.
De noite, você verá de perto.
O certo e o incerto, a gente vai saber.
E mesmo assim,
Queria te contar que eu tenho aqui comigo
alguma coisa pra te dar.
Tem espaço de sobra no meu coração.

Passarinho

Quando eu olhei pra cima e não te vi,
não sabia o que fazer,
fui contar praquele estranho que eu gostava de você.
Ai, ai, será que foi assim?
Que foi o tempo que tirou você de mim?

Te Valorizo

Se eu ousar te contar o que eu sonhei.
Pode ate engasgar, pagaria pra ver.
Melhor forma não há, pra provar meu amor
Eu te presto atenção tento ser sua flor.

A Bailarina e o Astronauta

Como se nascesse ali um amor absoluto pelo homem que eu vi.
Poderia lhe entregar meu coração.
Alma, vida e até minha atenção.
Mas vieram as sirenes e homens falando estranho.
Carregaram meu presente como se ele fosse um santo.
Dirigiam um carro branco e num segundo foram embora.
Desse dia até agora, não sei como, não pergunte, procuro por todo canto.

Astronauta, diz pra mim cade você, bailarina não consegue mais viver.

Mesmo que mude

terça-feira, agosto 25th, 2009

É sempre a mesma coisa
Mudo de emprego, de casa, de roupa, de vida
Mudo de amigos, de estilo musical, de carro, de preferência gastronômica
Mudo de ares, de bares, de esporte, de peso na balança
Mudo de esmalte, de livro, de religião, de crença
A única coisa que não muda é o que ele representa na minha vida.

Bruna Sion

Porque eu gosto do que ela escreve. E esse falou por mim.

Todo dia morre um amor

domingo, agosto 23rd, 2009

Todo dia morre um amor. Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor. Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina. Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos. Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo. Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios.
Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos. Morre da mais completa e letal inanição.
Todo dia morre um amor. Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro. Todo dia morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria que na prática, relutemos em admitir. Porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso. De saber que, mais uma vez, um amor morreu. Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa. E esta é a lição: amores morrem.
Todos os dias um amor é assassinado. Com a adaga do tédio, a cicuta da indiferença, a forca do escárnio, a metralhadora da traição. A sacola de presentes devolvidos, os ponteiros tiquetaqueando no relógio, o silêncio insuportável depois de uma discussão: todo crime deixa evidências.
Todos nós fomos assassinos um dia. Há aqueles que, como o Lee Harvey Oswald, se refugiam em salas de cinema vazias. Ou preferem se esconder debaixo da cama, ao lado do bicho papão. Outros confessam sua culpa em altos brados e fazem de pinico os ouvidos de infelizes garçons. Há aqueles que negam, veementemente, participação no crime e buscam por novas vítimas em salas de chat ou pistas de danceteria, sem dor ou remorso. Os mais periculosos aproveitam sua experiência de criminosos para escrever livros de auto-ajuda, com nomes paradoxais como “O Amor Inteligente” ou romances açucarados de banca de jornal, do tipo “A Paixão Tem Olhos Azuis”, difundindo ao mundo ilusões fatais aos corações sem cicatrizes.
Existem os amores que clamam por um tiro de misericórdia: corcéis feridos.
Existem os amores-zumbis, aqueles que se recusam a admitir que morreram. São capazes de perdurar anos, mortos-vivos sobre a Terra teimando em resistir à base de camas separadas, beijos burocráticos, sexo sem tesão. Estes não querem ser sacrificados e, à semelhança dos zumbis hollywoodianos, também se alimentam de cérebros humanos e definharão até se tornarem laranjas chupadas.
Existem os amores-vegetais, aqueles que vivem em permanente estado de letargia, comuns principalmente entre os amantes platônicos que recordarão até o fim de seus dias o sorriso daquela ruivinha da 4a. série ou entre fãs que até hoje suspiram em frente a um pôster do Elvis Presley (e pior, da fase havaiana). Mas titubeio em dizer que isso possa ser classificado como amor (Bah, isso não é amor. Amor vivido só do pescoço pra cima não é amor).
Existem, por fim, os amores-fênix. Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, dos preconceitos da sociedade, das contas a pagar, da paixão que escasseia com o decorrer dos anos, da mesa-redonda no final de domingo, das calcinhas penduradas no chuveiro, das toalhas molhadas sobre a cama e das brigas que não levam a nada, ressuscitam das cinzas a cada fim de dia e perduram: teimosos, belos, cegos e intensos. Mas estes são raríssimos e há quem duvide de sua existência. Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas. E é esse amor que eu quero viver com você, PARA SEMPRE!!!

Autor desconhecido

Esse texto foi enviado por um grande amigo meu, e eu amei.

Sou

sexta-feira, julho 10th, 2009

olha, eu sou incrível.
sou simpática.
chego a ser linda ás vezes.
sou inteligente.
autêntica, descolada, carismática.
engraçada, divertida.

e sozinha.

por Maely Freitas

segunda-feira, junho 1st, 2009

“Hoje eu saí de casa tão feliz, que nem me lembrei que em algumas horas a tristeza bate, me sacode e me faz sentir dores que eu não imaginava que continuavam ali…”

Caio. F.

Guimarães Rosa

segunda-feira, maio 18th, 2009

Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Diga o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego. Era ele estar por longe, e eu só nele pensava. E eu mesmo não entendia então o que aquilo era? Sei que sim. Mas não. E eu mesmo entender não queria. Acho que.
Aquela meiguice, desigual que ele sabia esconder o mais de sempre. E em mim a vontade de chegar todo próximo, quase uma ânsia de sentir o cheiro do corpo dele, dos braços, que às vezes adivinhei insensatamente – tentação dessa eu espairecia, aí rijo comigo renegava. Muitos momentos
.”

Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa

Ninguem precisa, realmente

sexta-feira, abril 3rd, 2009

“…Guardei meus slêncios, meus escritos, minhas dores e meus documentos. Fiz do quarto esconderijo para minha esquisitisse, minhas calcinhas e meus sonhos. E ninguem precisa saber das luzes da minha casa. Quando acendo, quando apago e quando as faço piscar. Ninguem precisa saber da minha demencia, da minha falta de tato, das minhas insonias e das minhas compulsões. Realmente ninguem precisa.

Maira Viana

(…)

domingo, março 22nd, 2009

Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os ‘A’s. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.”

A Menina Que Roubava Livros