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Michel Melamed e os rumos da televisão

quarta-feira, novembro 17th, 2010

Quando pensamos que não há nada de interessante para passar na televisão, eis que eu esbarro com o  Michel Melamed de volta à tela da Globo. Ele já havia feito outros trabalhos que eu, desligada, deixei passar.

De tanto uma grande amiga minha conversar sobre o Michel Melamed, resolvi prestar um pouco de atenção do cara e joguei no Google. Encontrei algumas coisas interessantes como twitter, Wikipédia, o site oficial e alguns vídeos no youtube. Optei pelo youtube, mais de três horas da madrugada me impedia de ter olhos e paciência para ler.

Assisti a um programa delicioso chamado “Viva Voz” e outro ainda mais delicioso; “Lixe-se”.  O primeiro tratava-se de ligações que o Michel fazia para famosos ou para alguns tipo de comercio, puxava assunto no viva voz e deixava fluir a conversa. Parece simples, mas  Melamed tinha o dom de articular de tal maneira que a cada telefonema resultava em algo interessante.  O segundo, “Lixe-se”, Michel Melamed saia com algum convidado pelas ruas catando e analisando alguns lixos. É interessantíssimo ver o tipo de reflexão que é gerada em um programa assim.

Fiquei horas assistindo aos vídeos e pensando como a televisão aberta precisa de programas sutis e reflexivos como esses dois que assisti via youtube. Mas ao mesmo tempo me pergunto qual é a porcentagem da massa que está aberta e ansiosa por novos modelos de programação, e qual a porcentagem de pessoas acomodadas que estranhariam ou rejeitariam uma grade de programação diferenciada. Fica essa dúvida na minha cabeça, quando se falava em liberdade e informação. Não defini ainda na mente qual é a real quanto a vontade do publico geral. Sou do grupo que está do lado da liberdade, da mudança da programação, mas será que é mesmo essa vontade das pessoas?

Acredito que tem muita coisa acontecendo. A veiculação da música para baixar, os programas voltados para youtube, live ustream, o twitter, as twitcans. O público está com um maior leque de opções e o artista está mais acessível à esse público, dialogando, tendo voz ativa e impedindo que a imprensa marrom deturpem seus atos.

Na TV aberta também tenho visto algumas tentativas de mudança e quebra de paradigmas. Mas ainda não vejo isso em horários nobres. Toda programação cultural e diferenciada começa após todo aquele modelo básico de novelas, jornais, etc e tal. O que é novo, o que é cultura, vai ao ar por volta das 23h pra cima. E eu acho isso um absurdo. A começar por Som Brasil, que é um modelo antigo, porém cultural, mas só começa passar por volta da uma e meia da madrugada.

Voltando ao Michel Melamed, o que eu queria dizer é que ele aparenta ser uma pessoa inovadora, alguém de talento e idéias. E vê-lo entrar de leve na programação da Rede Globo, me faz pensar que talvez as coisas ainda possam continuar mudando (pra melhor, espero).

Ainda por cima ele é cantor, e tem futuro… eu acho!

Ouça: Nome a Pessoa

Pigilógica

segunda-feira, setembro 20th, 2010

Desde jovem eu tinha o sonho de ser psicóloga, queria poder ajudar as pessoas com algumas palavras ou ajudá-las encontrar algum caminho pra o que fosse que elas sentissem. Além disso, sempre me interessei pelas atitudes humanas, pelo comportamento, pelas feições e o jeito de falar. Me  interessei sempre; até na minha fase, mais jovem ainda, de poucos amigos.

Sempre cismei em fazer amizades com as pessoas que me instigavam ou aquelas que de certo modo eram um pouco daquilo que eu não conseguia ser. Também sempre me acheguei naquelas pessoas que às vezes estavam sozinhas no canto da sala. Tudo que fosse um pouco incomum; atraia-me pela curiosidade do psicológico da pessoa.

Acabou que, qualquer tipo de coisa relacionada à área da saúde não me interessava nada. Essa coisa de estudar células, anatomia, químicas, etc foram umas das coisas que me fizeram esquecer a psicologia. Eu nunca quis compreender o funcionamento biológico das coisas, e tampouco tinha o interesse de medicar alguém. Meu único prazer na psicologia era entender e ajudar as pessoas.

Virei Jornalista quase sem querer. E a vida foi me jogando pra lados que, quem me visse com 9 ou 10 anos e visse hoje em dia, diria que eu sou uma outra pessoa. Aprendi a me relacionar com os outros e aprendi na minha área; artimanhas que pudessem me levar ao mundo dos humanos e conhecer diversos deles, um mais diferente que o outro.

Com todo esse meu vício de prestar atenção nas atitudes humanas e, inclusive, por ser deficiente física; acabei me deparando com o comportamento das pessoas para comigo. E isso foi se tornando tão interessante que acabei ficando com uma enorme vontade de desabafar aqui no blog um pouco das minhas analises sobre esse bicho humano, que convivemos diariamente.

É engraçado como existem pessoas que me relaciono em diversos graus de convivência e que isso muitas vezes não faz a menor diferença no comportamento delas comigo. Deixa eu explicar…

Tenho amizades de longas datas, com gente que não tem o menor jeito pra lidar comigo e com minhas necessidades. Pessoas quais eu convivo durante anos, mas que não sabem como me arrumar na cadeira e se atrapalham demais na hora de prestar qualquer ajuda. Não sabe mesmo, e não tem menor jeito de que um dia vai aprender.

Por outro lado, conheço pessoas que ao acabar de conhecer; já estavam me ajudando na cadeira, me alimentando e me tratando com a maior naturalidade mundo. Gente essa, que nem sequer pergunta “como posso ajudar?” a pessoa simplesmente faz como se já soubesse exatamente o que e como deve fazer.

Conheço também um terceiro tipo de pessoa: aquela que tem boa vontade, que aprende fácil, mas acaba cometendo algumas gafes justamente por tentar forçar  certa naturalidade que não está rolando.  Essas pessoas são ótimas; prestativas, de atitude, força, boa vontade, mas não conseguem esconder o “diferente”.

Tem ainda as que não me enxergam como deficiente, as que enxergam mas tentam disfarçar tanto que fica até engraçado, e as que não disfarçam porra nenhuma e te tratam como bonequinha de porcelana.

E dentro de cada tipo de pessoas, existe uma infinidade de variações que não caberia ficar classificando aqui incansavelmente.

Mas o fato é que não existe uma receita certa e nem tem como eu interferir muito no jeito da pessoa me tratar. Não tem como exigir naturalidade de quem não consegue agir desse modo, nem posso querer que todos sejam como o modelo X.

E essa diversidade de reações têm sido cada vez mais instigantes de ver.

Achei!

sábado, agosto 21st, 2010

E às vezes, no meio de uma madrugada despretensiosa, a gente se olha e olha ao nosso redor e descobre que estamos no ponto certo. Descobrimos que estamos ali no momento e do jeito que gostaríamos de estar. Não é algo externo, as coisas não estão assim tão boas não. É algo para com a gente, o famoso descobrimento interno. Aquele “plim” de que estamos fazendo o nosso personagem favorito! De repente de estranha, eu passei a ser minha maior conhecedora! Acho que são os trinta anos que nos dão certa firmeza de ser e estar! Aprendi a lidar comigo, parei de me atrapalhar nos sentimentos e nas palavras, achei minha estação. Nem sei se isso muda conforme o tempo, se passa, se é passageiro ou se é daqui em diante! Olha, repito, não é dizer que as coisas estão boas não, viu? Pelo contrário; eu ando em um momento complicadíssimo,  que envolve uma falsa esperança de me mudar, as decepções em relação a amizades, a saudade profunda de uma pessoa especial, a quase-ausência de uma outra pessoa muito importante pra mim, o falecimento brutal de uma prima, a falta dos meus irmãos  por perto e coisas e coisas e mais coisas! Mas, independente de tudo, sinto minha alma encaixada no meu corpo. Sinto que hoje sou quem eu desenhei. Hoje eu sou minha maior cúmplice!

E de repente!

quinta-feira, julho 22nd, 2010

E de repente; a morte.

E as pessoas e animais, morrem cada vez com mais facilidade. Morrem todo dia, toda hora, de todas as maneiras possíveis e inimaginarias! E a morte dói. Seja ela qual for. Dói ver a morte, mesmo quando é a prima de uma amiga sua, o filho da atriz, a mãe de um colega seu ou a gatinha de alguém que você gosta muito. E a morte não tem volta, não tem consolo, não tem palavras. Apaga-se uma luz, fecha-se uma porta, termina-se mais um conto.

E de repente; a morte.

E as pessoas e animais morrem assim; subitamente. Morre inesperadamente, nos deixando sempre perplexos. E mesmo sendo a única certeza que temos da vida, ainda sim é a coisa que mais nos surpreende. Uma das únicas coisas que nos fazem frear de repente. Morre a criança de quatro anos, que não viveu pra expor suas idéias e ideais. Morre o jovem no auge da adolescência, sem nem tempo de se transformar em alguma, sabe-se lá no que! Morre a mulher com metade da vida já vivida, com filhos, netos e amigos. E morre aquele nosso animalzinho de estimação, que nos consola sempre nas horas que mais precisamos (mesmo às vezes a gente nem sabendo).

E de repente; a vida.

E no dia seguinte a luz do dia reascende, as pessoas caminham pelas ruas, o comércio, as portas e janelas se abrem novamente. E a vida continua até que no próximo semáforo, escorregão ou suspiro ela dê mais uma freada brusca e a gente se surpreenda tudo novamente. E assim quantas vezes forem preciso.

Esse texto é pra banalidade da vida e da morte. Acontece diariamente, mas seqüencialmente rolaram quatro que me frearam a vida. Meu carinho à @Prixila, à @Cissa_Guimaraes, à Fabi (Ravi) e ao @Fanitelli…que meu carinho afague vocês!

ViVENDO a vida

segunda-feira, janeiro 18th, 2010

Não costumo assistir novela das 20h (ou seria das 21h?), principalmente quando é da Gloria Peres ou do Manoel Carlos. Acho meio surreal para mais da metade da população, principalmente pra mim. É muito dinheiro no lance, e só se fala dos bairros nobres do Rio de Janeiro. Enfim!

Mas desde que a Luciana (Alinne Morais) sofreu o acidente e ficou tetraplegica, eu passei a assistir a Novela “Viver a Vida“, do Manoel Carlos. Quero ver qual a abordagem do Maneco pra esse tema, quero ver a atuação da Alinne Morais e ver se estão mostrando mesmo a realidade de um cadeirante. Apesar de não saber como é ficar tetraplegica do dia pra noite, eu sei o que é ser tetraplégica desde o nascimento, e tem muita coisa que estão sendo mostradas e que me identifico.

Achei interessante demais o lance do banho, é mesmo um grande ritual e muitas vezes desanima de sair, só de saber que tem que passar pelo ritual do banho. Um saco! E olha que a Luciana nem tem escaras, não troca nenhum curativo! A cada banho, atualmente eu troco 14 curativos! Isso é o que é o mais difícil, porque o banho pelo banho até que eu estou sossegada.

Outra coisa muito bem abordada é a relação das pessoas com a Luciana. Engraçado que identifico cada amigo meu em cada amigo da Luciana. As diferentes atitudes, as reações, é tudo tão parecido, muito engraçado! A sutileza de que isso está sendo colocado, e a forma de como tenho identificado com a minha vida! Coisas que eu vivia sem reparar muito, e a novela me fez prestar uma puta de uma atenção. Muito bom!

Estou gostando demais do triangulo amoroso. Estou achando sensacional o jeito do Miguel (Mateus Solano) e do Jorge (Mateus Solano). Cara, eu tô viajando demais nesse triângulo!!! Primeiro porque eu já encontrei homem que teve reações iguais a do Jorge; que trava e fica sem jeito, sem reação de como agir frente a esse “problema”. Não é por mal não, o Jorge não é um sujeito ruim. O que acontece é que tem gente que é mesmo insegura, e mesmo com todo o carinho do mundo, não consegue perder o medo de cometer algum erro, de fazer e principalmente de falar alguma coisa errada. São pessoas céticas, que os olhos enchergam exatamente aquilo que está na sua frente. E tem pessoas mais seguras e mais sensíveis. São as pessoas que enchergam além do que se vê, gente que vê de dentro pra for a e não de for a pra dentro! É ótimo isso, eu consigo entender toda a coisa que envolve esse triangulo, é muito interessante!

Obviamente (quem me segue no twitter sabe muito bem disso!) que eu estou encantada pelo Miguel. Quem me conhece sabe que, independente de ser o relacionamento que todo mundo sonha, eu sempre gostei de ter esse tipo de relação com os caras que me interesso, ou com amigos mesmo. Aquela coisa tranquila, sem muita melação, e cheio de provocações e xingamentos ou piadinhas. Bem melhor do que babação, é viver nessa guerrinha de farpas carinhosa! E eu estou louca em busca de um Miguel na minha vida, mas descobri que tenho vários pedaços de Miguelitos espalhados entre meus amigos. Tenho um que me incentiva e não me permite fazer corpo mole, que é o mesmo que se orgulha e torce! Tenho aquele mais bagunceiro, mais engraçado, mais doido e despojado… Enfim!!! E, acredite, eu tenho alguém que me lembra muito o Jorge!!!! Rsrsrsrsrs… A única diferença, é que nenhum eu tenho relacionamento amoroso de homem e mulher, e ainda não sairam na porrada por mim!!! Bom, eu também não sou nenhuma Alinne Morais e nem moro no Leblon… Então, né?! Abafa!!!

Algumas coisas são meio surreais; como a rapidez que ela está progredindo, mas é perdoado porque trata-se de uma novela e a novela tem que andar e coisa e tal! Normal. Só não vou aceitar se a Luciana voltar andar!!! É muito raro ver casos como esses terem cura assim. Espero que a Luciana termine cadeirante, seguindo a vida e que a messagem seja justamente essa, de que dá pra ser feliz assim e que essas fatalidades podem acontecer na vida de qualquer um.

Acho que poderiam dar um pouco mais de enfase na arquitetura, na acessibilidade. Poderiam mostrar que as calçadas com ladrilho balançam demais e tiram o deficiente da posição na cadeira. Escorrega, sabe?! Também pode mostrar as guias rebaixadas, as rampas, os lugares públicos com e sem acessibilidade. Por um lado, eu estava torcendo pra Luciana ficar com o Jorge; fazê-lo perder essa insegurança toda e quem sabe estimular o cara defender a causa da Arquitetura Acessível, já que ele é arquiteto e teria contato direto com a esposa cadeirante.

No mais é isso aí!

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Ah! Indico o blog da @acessibilidade que tem coisas interessantes sobre arquitetura acessível : http://thaisfrota.wordpress.com/

Da luta eu (às vezes) me retiro!

domingo, janeiro 10th, 2010

Com essa moda de twitter, a gente fica lendo e bombardeando opiniões. E daí um bucado de coisas que vou lendo vão dando uma vontade imensa de postar um texto maior do que 140 caracteres, e então quando acho válido eu corro pra cá.

Como gosto de cultura e principalmente de música, o que mais rola no meu twitter são assuntos ao redor disso; da música livre e da cultura livre. Leio tudo sempre com muita atenção e busco inclusive acessar os links, pensar no assunto e tudo mais. Muitas vezes retwitto, porque acho válido que as coisas sejam visíveis. Quem tiver interesse olha e pronto, senão é só passar pro próximo.

Nem sempre isso significa que eu apoio a tudo de olhos fechados, sem sequer questionar. Não acho bacana a idéia de abraçar ideais só porque “tá na moda” ou seja lá qual for a influência. Mas também não acho que seja errado repassar algumas coisas que você ache interessante o debate.

Nunca tive muita facilidade para o radicalismo e nem para abraçar as causas. Sou péssima em convencer as pessoas, morro de preguiça em defender uma causa, e geralmente não faço questão que ninguém concorde comigo. Tudo isso me faz ser uma fracassada na defesa do que quer que seja!

Eu não sou a favor de Cds custando “os olhos da cara”, mas também acredito que os artistas devem ser reconhecidos sim por suas obras. Acho que é justo determinadas coisas serem acessíveis à população através do download livre. É uma questão de livre acesso mesmo, das pessoas terem oportunidade e liberdade de construir seu conhecimento. Mas acho sim que o radicalismo é intenso, perigoso, e até insano!

Acredito que pra tudo deve haver um debate, um estudo até que se chegue a uma conclusão justa e que não deixe nenhum dos lados perdendo. Isso é a ética, chegar em um ponto que seja bom para todos. Eu gosto muito do sistema da Trama Virtual que oferece download gratuito e ao mesmo tempo recompensa o artista de acordo com o número de download.

Acho a luta válida, e obviamente sairia ganhando tendo a liberdade de puxar quantas e quais músicas eu quisesse. Poder ouvir um CD e se acha-lo uma merda simplesmente deleta-lo ao invés de chorar o meu dinheirinho mal gasto.

Mas lutas no geral me assustam, existe muito oportunismo. É muito assustador e confuso ver o radicalismo das pessoas em relação à tais causas. Não sei até onde rola esse oportunismo, até onde vira chatice, lavagem cerebral e coisa e tal! Tem que tomar muito cuidado quando se que defender alguma causa, porque dependendo da abordagem a coisa vira um ruído, algo que as pessoas escutam, leem, mas não absorvem, como uma propaganda eleitoral, por exemplo. Acho que quando a pessoa começa se pautar apenas por determinado assunto, perde o valor porque aí já não rola muita imparcialidade.

Talvez por isso eu tenha certo preconceito a religião, vegetarianismo, feminismo e coisas do tipo. Além de ter as minhas opiniões pessoais em relação a esses assuntos, parece que as pessoas ficam focadas demais no assunto e não conseguem debater mais nada! Vira fixação!!! Mas de certo modo acho bom que tenham pessoas aí pra defender temas de religião, vegetarianismo, natureza, etc, assim o mundo não fica totalmente acomodado com tudo, existe sempre uma legião de desacomodados por aí pra suprir o comodismo e dar umas remexidas com nossas consciências.

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sábado, novembro 28th, 2009

Sinceramente? Não sei de fato o que está acontecendo, nem sei como posso explicar tudo isso. As coisas andam dando tão certo, mas tão errado. Talvez, o pouco que que está dando “errado” é muito mais relevante que o “certo” que está rolando.

Sei, talvez eu esteja sendo tão injusta! Mas sabe, é mais forte que eu, que a razão, que toda essa minha consciência de tudo que rola no meu redor. Acaba que uma dor incontrolável invade meu peito, me joga em um vão e eu não crio forças pra levantar. Eu sei, não precisa dar sermão! Eu tô assim, e não gosto de estar!!!!

No fim das contas, uma migalha de atitude, de sentimento, de seja lá o que for, é capaz de transformar um todo. As coisas estão ficando cinza, por mais que eu amanheça e abra todas as portas e janelas em busca do azul, é o cinza que tenho visto.

O que está havendo? Onde foi que o vento fez a curva? Como a gente faz pra todo aquele céu azul voltar?! É só isso que me pergunto da hora que acordo até a hora que pego no sono!

Porque importa tanto?
Porque depende tanto?
Porque não vem?
Porque não flui?
Porque a coisa empaca e não desata esse nó?

Ai meu Deus, seja lá quem você for; dá um jeito nisso vai!!!! Tira esse nó do peito, ou faz a coisa acontecer, hein?!

Carta aberta

quarta-feira, novembro 11th, 2009

Oi…

Estou escrevendo, porque eu preciso te falar umas coisas. Eu sempre preciso, não é mesmo?! Minhas palavras são intermináveis e os meus pensamentos são intensos, e os sentimentos inconstantes. Cansei de te cansar. Cansei de te entupir de palavras minhas, que a mim dizem tanto (e tem sempre um tanto a dizer) e pra ti, nem sei. Dessa vez resolvi fazer uma carta aberta, e parar também com essa coisa de escrever e apagar ou passar a noite pensando em coisas que eu gostaria de te falar.

Eu já me conheço bem, e por isso tenho tanto medo das coisas (principalmente as boas) que acontecem conosco. Eu te evitei o máximo, tentei até te tirar da minha vida. Na verdade, quase nem deixei você entrar. Mas você parece que insistiu, correu até meu encontro. Ou então eu estou louca, e me convenci de que você insistia. Veio tão forte, com uma vontade tão própria, me disse coisas que me dava medo! É, eu cheguei a chorar baixinho de tanto pavor que eu sentia das tuas doces palavras.

Você veio e tudo acabou mudando de uma forma tão diferente. Teu jeito, tuas formas de ser e de estar são tão peculiares, tão fascinantes que inebriam meus sentidos todos. Eu que tenho tanto medo, perdi. Soltei os nós, abri as portas e deixei que tudo viesse como tivesse de ser. Deixei rolar, como se dizem por aí.

Mas eu tenho tantas dúvidas, são tantos pensamentos, e eu os engulo com medo de parecer sabe-se lá o que. Luto contra minha intensidade diariamente, tantas vezes ganho e outras tantas eu perco. É que eu não sei ser metade. Eu sou inteira, completa, focada entende?! Tenho dificuldade de lidar com a distancia, e você é e está tão longe. É que eu tenho dificuldade de lidar com a perda, e eu te ganho e te perco com tanta frequencia. E eu não costumo permitir que as pessoas entrem no meu mundo, e você invadiu de tal forma que agora não vejo mais você fora dele.

Mas o que devo eu fazer se na verdade você dificilmente faz/fez/fará parte do meu mundo, aí de tão longe?! É dificil pra mim lidar com essa sua capacidade de estar tão perto e tão longe ao mesmo tempo.

Te vejo ali, quero lhe tomar por inteiro. Mas nunca sei. Um momento tão cheio de carinho, outros tão cheio de vazio. Não quero atrapalhar sua vida, não quero lhe mostrar da saudade, não quero causar má impressão. Mas quero você, quero te saber, te cuidar, te aprender.

Quando te vejo é tudo tão bom, você faz tudo ficar tão bom e tão verdadeiro. Teu olhar me convence, me conforta, confirma tudo. Teus abraços, teus toques, teu riso. É tudo tão verdadeiro que me assusta. Me assusta pensar em não ter , me assusta pensar em não poder ter isso quando eu mais preciso.

Queria te dizer tantas coisas. Queria ser bem interpretada, queria mesmo é te ter mais perto.

Reivindicando um inverso

segunda-feira, setembro 21st, 2009

Lendo uma reportagem sobre o Estatuto de Igualdade Racial, me fez pensar novamente no que eu penso sobre tudo isso. Não sou lá uma pessoa a favor desse bando de leis que discrimina mais do que qualquer outra coisa. É uma putaria gigante e agora é lei pra pobre, pra rico, criança, jovem, velho. E eu não acho muito bacana não.

Nunca fui muito a favor desse lance de cotas pra pessoa negra. Acho que não é separando um pedaço do bolo pra eles, que vai torná-los iguais. Somos todos diferentes uns dos outros, com nossas dificuldades e facilidades. Não é a cor da pele que classifica isso. Proteção, pra mim é uma forma clara de preconceito.

Eu mesma sou deficiente e confesso que não sou a favor de muita regalia desnecessária que o deficiente acaba tendo. No fim das contas, eu acabo aderindo mesmo, pra sair na vantagem sim. Mas esse é um papo pra novo post, o de hoje é sobre os negros e o tal do Estatuto Racial.

Acho que ao invés de lei de cotas, de proteções e de obrigar empresas a terem números X de negros, etc, o que precisa mesmo é que a lei proíba apenas a discriminação; independente de cor e raça. É preciso dar os devidos méritos a quem os tem, e assim o País seria feito de gente competente, independente da raça.

Estudei em um colégio de Freira e lá você precisava ser aceito, pra poder estudar. Não se via negro, daqueles pretos mesmo, o que era visto no máximo eram pessoas um pouco mais escuras, e mesmo assim a minoria. Nesse caso sim. Acho absurdo, a pessoa ser recusada a fazer matricula em determinada escola por causa da cor de pele.

Nesse Estatuto Racial, fala sobre a proibição de o empregador exigir boa aparência e foto no currículo. Mas daí, eu acho que isso deveria se expandir pra diversos outros casos; como gordos, magros, altos, baixos, def físico, etc. Assim como a maioria dos tópicos do Estatuto Racial, cabe não só para os negros, mas sim pra um geral da população. Devemos respeitar e ser respeitados.

Talvez eu seja um pouco errada, não sei, mas sou bastante contra em relação a esses lances de levantar bandeiras e criação de tantas leis. Ao invés de ficar criando Estatutos que acabam “preconceituando” ainda mais a coisa, e ainda por cima não sendo levadas a sério, as pessoas deveriam ser mais livres de leis e mais responsáveis pelos próprios atos. Respeite pra ser respeitado, é essa a única lei infalível, a meu ver.

Monólogo…

segunda-feira, julho 27th, 2009

– Ah não! Você novamente?!
– Porque novamente? Eu sempre estou aqui, sou você!
– Sei, mas eu estava em paz, me deixa vai… tchau e até nunca!
– Porque você não fala logo tudo que quer? Fala!
– Eu disse tchau, você viu? Não falo porque não tem o que falar, simples!
– Tem sim…
– Não tem, sério!
– Tem e você sabe disso… Fica noites e noites falando sozinha….
– Tipo agora?
– É, tipo agora… Fala boba, chama um desses amigos e fala tudo!
– Tudo o que? O tudo é nada… nada disso é… eu crio… Além do mais…
– Você cansou de confiar e ou de conversar com as pessoas…
– Tchau!!!
– É normal a introspecção… mas tem que jogar pra fora as vezes…
– tá…
– Se fechar do mundo não vai resolver…
– Não estou fechada! Estou aberta e disposta!
– E com coisas aí dentro…
– Cansei de desabafar… a vida é mais! Quero sorrir, ser boa companhia!
– Quem disse que deixará de ser?
– Ah, sempre de mimimi
– Engano seu, as vezes nem é mimimi e você esconde… tá com medo de dar amor!
– Virou analista?
– E não é verdade? Pare de se proteger, seja você e pronto!
– Mas estou sendo…
– Tudo demasiadamente é prejudicial, uma hora esses pensamentos vão fermentar e causar estrago
– Mas por hora tá bom, juro!
– Acredite em quem sabe das coisas… tá chegando o momento… não deixe passar a hora certa. E depois, reclamar….
– Tá chegando? Não chegou. Me avise quando chegar…
– Tô avisando, oras!
– É? Vou tentar… mas não sai nada, soa inútil…
– Faz uma força, mete o dedo na garganta! Mas faça…
– Vou tentar…
– Eu avisei. Tchau!
– Finalmente!