Archive for março, 2007

Você sempre foi nunca.

quinta-feira, março 29th, 2007

Você nunca foi bom com palavras, mas sempre foi bom pra mim.
Se noite eu não durmia, agora menos ainda.
Porque prefiro passar as noites pensando em você, do que apenas sonhar.
É,você nunca foi bom com palavras e eu nunca fui boa com sentimentos.
Eu seria inconveniente se te falasse que você me faz bem?
Ou até mesmo que você significa muito para mim?
Talvez sim, talvez.
É,você nunca foi bom com palavras, mas sempre foi bom pra mim.

De tudo quase um pouco

terça-feira, março 27th, 2007

Tem coisas que eu ainda quero entender e não consigo, sabe?

Não consigo desistir
Não consigo entender
Não consigo esquecer
Não consigo deixar de remoer

Normal, tem horas que eu prefiro deixar esse “pica-pau” martelar a vontade na cabeça até ele se cansar sozinho, e eu acabar desistindo de entender pelo cansaço. Mas enquanto isso não ocorre, é só cabeça parar que lá vem o “toc toc” me infernizar.

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Mas no geral eu estou bem. Estou feliz comigo mesma, de um modo indescritível. Nada eufórico, mas paz mesmo. Aquela coisa de consciência tranqüila e satisfação com o que tem sido dado e vivido.
Acho que estou sendo recompensada pelos anos de 2003, 2004, 2005 e iniciozinho chato de 2007. Agora parece que encontrei a tal da paz interior tão falada por aí.

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Mesmo com a afirmação de que realmente estou de DP (sim, infelizmente esse pesadelo é real), e esse assunto ser meio trash pra mim, eu curti pra carai o meu final de semana!!

Foi simples, mas um bucado interessante e principalmente valioso pra mim… São nas pequenas coisas, realmente, que encontramos as melhores alegrias.

Sexta-feira : Fui no Rolidei com a tia Marga, a Fê, Vinicius, Luiz, Karol e mais uma outra que não me recordo bem o nome. E, foi bom demais! Teve duas bandas bacanérrimas, além de ser especial de solidariedade. Então além de a entrada ser um ovo de páscoa, ainda foi bacana que tinha um bucado de galera com síndrome de Down e alguns bastantes cadeirantes…Me senti em casa, né?!

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Sábado: Passei o dia curtindo a companhia da Fê, que durmiu aqui, colocando os papos em dia… Depois ainda curti a Luara um pouco, e pra finalizar fui com a Cláudia ver o filme Letra & Música na sessão das 22h. Pra completar mais ainda, quando sai do cinema ainda esbarrei na Bila, que eu tava morrendo de saudades e quando cheguei em casa bati maior papo com o Rodrigo no msn.

* Sobre o filme, eu devo dizer…É meu sonho; encontrar um cara bom de música e eu aprender a escrever boas letras… É, vamos sonhando, vai que um dia os anjos dizem amém!

***

Domingo: Eu acordei meio chata no domingo porque tive dois sonhos desnecessários. Sonhei com uma pessoa que nem sei se nem em sonho merece que eu perca meu tempo, e depois ainda sonhei que levei a maior bronca de um amigo; mas bronca mesmo, de gritar, apontar dedo na cara e mandar eu sumir… Eu hein!!! Não foi atoa que acordei meio estranha e acabei descontando pra variar nas pessoas que mais amo.
Depois ainda fui no quiosque com a Fernanda, Bronx, Vinicius e Bila. Ri bastante, comi batata frita com maionese e tomei coca-cola.

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No mais é isso mesmo… Grandes expectativas, projetos, programações e em breve novidades… Inclusive novidades urgentes sobre meu aniversário!!

Nirvana rocks!!

quinta-feira, março 22nd, 2007

Algumas vezes eu tenho o costume de parar e pensar um pouco no que está rolando dentro de mim, e de como ando enxergando o mundo ao redor. Acabei pegando a mania da auto-analise esporadicamente, e acho bacana você amadurecer, evoluir e poder tomar consciência do que você está se tornando ao longo do tempo. É como não apenas viver, mas ter a noção de que está vivendo sabe? Enxergar de dentro pra fora e de fora pra dentro. E isso é bastante interessante, além de útil para autocrítica.

Ultimamente tenho optado pela solução das coisas ao invés do stress que muitas vezes elas causam. Se há algo a ser resolvido, que vamos direto ao ponto e não ficarmos perdendo tempo falando, discutindo, reclamando ou medindo forças. Se é pra resolver, que seja resolvido logo de uma vez, e se não existir solução então que seja digerido de uma vez só.

A verdade é que ando cansada dos dramas que um dia eu mesma fiz, cansada de me fazer de vítima da vida e de falar ou me queixar sobre algo, sabendo que isso não trará solução nenhuma. Um exemplo bem idiota só pra ser bem clara; pra que ficar dizendo que está com gripe e com dor de cabeça pra meio mundo, se ninguém vai curar?! Se está doente tome um remédio e seja feliz! Acabe com o problema ao invés de ficar anunciando pra toda e qualquer pessoa.

Parece óbvia essa conclusão, mas eu já me fiz muito de “coitadinha” quando eu achava que isso me traria algo, e vejo muita gente ainda fazendo isso. Expondo coisas que não são necessárias pra obter resultados que na verdade nunca se obtém, pelo contrário. Adotei a política de falar somente coisas necessárias, úteis ou positivas.

Isso não significa que serei uma pessoa falsa, espalhando sorrisos e soluções 24 horas por dia, um desabafo ou outro, um pedido de ajuda e uma boa panela de brigadeiro podem ser utilizados sim! Mas é a questão de pedir ajuda para a pessoa certa, de não tornar o desabafo um circulo vicioso e de querer realmente superar. Chega de prometer e fazer planos, chegou a hora de realmente por em prática.

Acho que na verdade estou em uma fase de Nirvana. Andei lendo um pouco sobre isso e realmente pelo que descreve é o que tenho sentido e pensado sobre as coisas. Uma atitude meio budista, meio sei lá, porque na verdade eu não posso afirmar que sou de nenhuma religião. Mas de fato tenho acreditado muito no equilíbrio, na capacidade de resolver as coisas com mais praticidade e menos emoção. E o bacana é notar que logo eu, que sou toda emoção e amor, estou conseguindo manter a cabecinha no lugar e tratar de tudo (tudo MESMO), com mais segurança e equilíbrio.

Esse post pode parecer meio auto-ajuda, mas eu só estou tentando por pra fora algo de bom, algo que parece tão idiota, mas que eu estou realmente pondo em prática. Coisas como tolerância, carinho, serenidade, que pra mim era tão difícil de ter. A capacidade de superar as coisas sem mais aquela intensidade e aquele alvoroço todo.

Repito; parece inútil, mas cada um sabe o que sente e o peso da cruz que carrega, e eu realmente estou orgulhosa da minha postura atual. Quanto tempo vai durar esse estado de Nirvana, como diria a Vivian, eu realmente não sei, mas que esse meu orgulho sirva para que eu me segure nessa fase o maior tempo possível.

Estou feliz e precisava tentar dividir essa minha felicidade, mesmo que pra mim ainda seja uma dificuldade imensa escrever sobre a felicidade, as conquistas e o crescimento. Mas isso também há de ser mais uma mudança; aprender a ter inspiração não só com a dor.

Ser Borboleta!

domingo, março 18th, 2007

Ser borboleta significa tanta coisa…
Nos dá tantas sensações…

Ser borboleta é…

Ser mulher
Ser livre
Ser inconstante
Ser o renascimento da alma
Ser delicada
Ser segura
Ser alguém em busca de sonhos

Ah, ser borboleta é quase um êxtase vital.

E eu sou e estou borboleta.
Assim, como essa da foto. Livre! Me “libertando” e buscando as flores, os horizontes, as cores e os sorrisos.

Vida Alcoólica

terça-feira, março 13th, 2007

Antes de mais nada eu gostaria de lembrar: Eu não escrevo bêbada sempre! Só raras vezes =P

Em meio a umas brincadeiras no barzinho, eu parei pra analisar um pouco as minhas atitudes e principalmente a minha vida alcoólica. Não precisei de muito tempo da minha insônia pra chegar a algumas conclusões e uma delas é que de fato eu sei viver bem pra caralho!!

Que mereça ser denominado como porre, eu posso dizer que teve apenas um. Esses de perder parte da memória, de fazer as coisas sem saber o que está fazendo, de rir e chorar, de depois sentir uma culpa gigante das poucas coisas que consegue lembrar.
Esse porre foi no meu aniversário de 23 anos, uma fase complicada amorosamente falando e a época que resolvi largar um pouco o lado Santinha e Chatinha de ser.
Comecei bebendo na noite anterior da festa, com uma amiga de Curitiba, meu irmão, minha ex-cunhada, minha mãe e minha irmã. Bebi por farra e alegria mesmo, mas também por uma tristezinha por saber que o “gatinho” não estaria na festa do dia seguinte. A galera me embebedava para evitar que meu sono estragasse a surpresa, queriam me manter bêbada e acordada a todo custo, mas as 4h30 o sono falou mais alto e eu praticamente cai dura na cama. Às 5h eis que ouço um burburinho no quarto, mas tenho certeza de ser fruto do álcool ingerido e permaneço dormindo. Resumindo, porque não agüento mais contar detalhes dessa surpresa, o “gatinho” era a surpresa, e eu não o reconheci de inicio por estar bêbada de sono e de tanta caipirinha de maracujá.
Já passadas algumas horas e tudo esclarecido, etc e tal, eis que as 8h30 (antes do leitinho matinal) eu bebo meu primeiro copo de vodka, leite condensado, maracujá e pó de guaraná… E assim fui durante o dia inteiro, preparando a festa e bebendo…
Na festa a coisa não mudou muito e eu ainda bebi outros tipos de batida. Fiz estardalhaço, falei o que não deveria, agi com impulsividade (mais que o normal), provoquei, briguei, ri atoa, me diverti, chorei um bucado e no final da festa ainda virei quatro dedos de Kriptonita (vide a receita no fim do post) de uma vez só.

O saldo? Na média, não ter um porre (mesmo que tardio) e não cometer todas essas loucurinhas (que nem foram das piores), não é viver!!! Mas de fato fiquei muito mal vista pelo “gatinho” que só bebe coca-cola.

Antes e depois disso, tive pequenos porres. Apenas bebia ao ponto de ficar de blusa e calcinha conversando no quintal da frente de casa (que dá de frente pra rua) e ainda dar oi pro mendigo, de rir atoa, tirar fotos bizarras, de telefonar pra dizer “tava com saudades”, de chorar ouvindo Rouge, de fazer maquiagens toscas só pra tirar foto… Mas tudo sem perder a consciência e sem fazer nada que não faria sóbria.

Ultimamente posso dizer que bebo socialmente e ainda friso que bebo muito abaixo da média do que eu estava acostumada a tomar. Hoje mal fico alegrinha, mal faço bobeiras e mal vivo situações inusitadas.

Resumindo… Aos críticos de plantão; Vocês ainda não viram NADA.

Receita da Kriptonita

Vodka
Soda
Clight de morango silvestre
Clight de carambola

(Pode ser outras marcas, porém os mesmos sabores)

E acredite; Kriptonita derruba!

PS: Fiquei com vontade de bebemorar… Quem topa?

Novas amizades?

sábado, março 10th, 2007

Para recarregar as energias e me dar uma boooa diversão (que eu merecia, e não só eu como a Carla também), resolvi ir com a Carla no Na Mata, nós bem que tentamos chamar mais gente, mas a galera amarelou e vou dizer que perdeu. Foi uma noite um tanto quanto inusitada e divertida, o que deveria ser apenas uma baladinha musical, acabou virando uma grande comédia.

Começou que chegamos lá, e depois de uma boa e bem profunda conversa enquanto o show não começava e até aí tudo normal e o esperado. As coisas começaram a mudar quando eis que surge um casal com uma média de 35 a 40 anos e começa puxar conversa conosco, mas até então nada de diferente pra quem tem uma síndrome rara e está acostumada a ser abordada nos lugares. O diferencial? Bom, é que o casal nunca mais largou da gente.

Enquanto estava no “o que ela tem?”, “parabéns pela força de vontade”, “que bacana ela curtindo a vida”, estava tudo como sempre é, mas quando a mulher começou a querer me pegar no colo para dançar as coisas já começaram a ficar estranhas. Mas enfim, após a mulher ficar meia hora tentando convencer a Carla que queria me pegar, ela ainda ficou mais meia hora tentando me convencer, obviamente que foi inútil, pois eu jamais iria no colo de estranhos e bêbados.

Não satisfeitos o casal continuou puxando papo e dançando ao nosso redor, e essa hora eu já estava encostada na parede tentando fugir dos dois loucos. Mas inesperadamente a mulher surge com um gloss (baton) na mão e cisma que quer passar em mim. Mas eu, fresca como sou e já irritada com o grude do casal, dei vários foras e não deixei que a doida encostasse o maldito gloss na minha boca. Ainda não satisfeita ela fez o maior alvoroço ao ver minha tatuagem, inclusive dizendo que queria fazer uma, o que quase me fez responder “Quer? Ok, guarde isso pra você.”.

Finalmente o show começou e eu e Carlota, em uma jogada estratégica, grudamos no palco para fugir do casal maluco. Se deu certo? Obviamente que não, pois os dois vieram atrás e enquanto a louca alisava meu cabelo, o louco vibrava com o show de um modo não muito interessante, o que me fez ficar envergonhada e preocupada cm minha reputação perante a banda. Mas graças a Deus a galera toda continuou me tratando normalmente muito bem.

Nem com o show acabado conseguimos nos livrar do casal, e olha que nós tentamos fugir! No hall do Na Mata, quase na porta, eles ainda continuaram as bizarrices que na hora foi péssimo, mas que hoje é motivo de boas risadas pra mim e pra Carla. O louco me prometeu amizade fiel, e jurou que nada me faltaria dali pra frente, pois como ele mesmo disse; “eu sou pobre, mas tenho dinheiro”. Enquanto a louca por sua vez me convidava pra ser madrinha de seu bebê (que nem tinha feito ainda) e que teria o nome de Izabela em homenagem a madrinha.

Loucuras a parte, o interessante foi que o louco pagou nossas comandas (se a gente soubesse disso antes teria bebido todas), e nós saímos de lá sem trocar nenhum tipo de contato e nem sequer saber o nome do casal que tanto gostou da gente.

Fora tudo isso, o show foi ótimo e as energias foram realmente carregadas. Cante muito, suei, dancei, e o Junior talvez por questão de feeling dele ou sorte minha, estava um amor de pessoa e me deixou ainda mais contente em ter ido ao show. As únicas coisas ruins foram; o Cauê, William, Cláudia e Nevitz num terem ido conosco e, principalmente o Milton Guedes ter faltado justo dessa vez.

No mais, quinta e sexta voltamos a dura realidade de buscar emprego e gravar o DVD. Salvas pela presença da Luara que sempre proporciona alguns momentos divertidos, e pela companhia uma da outra (Carla e eu), que é sempre boa!

Ah!! Já ia esquecendo… Devido a carencia, resolvi me presentear com dois DVDs do Oswaldo Montenegro e ainda veio um grátis com um bucado de cantores como Elton John, Eric Clepton, Paul McCartney, etc…

Já era!

quarta-feira, março 7th, 2007

Eu ando com as palavras entaladas, abro o word e aquela folha em branco me trava, passa todas as sensações do mundo menos a paz. Aaaaaah paz, como eu queria ter paz novamente! Faz tão pouco tempo.

Hoje eu só queria tirar essa dor aqui dentro do meu peito. Essa dor forte que me dá angústia, ansiedade e que fazem as lágrimas brotarem dos meus olhos… Mesmo que eu lute com toda força pra mostrar ao mundo que não sou mais aquela menininha intensa, sentimental e emocionalmente fraca. Pra provar ao mundo que cresci, amadureci e que não é qualquer coisa (ou falta de coisa) que me faz chorar. Mas desculpe, eu sou sim fraca, imatura e estou com uma vonade imensa de chorar até adormecer.

E, para ajudar ainda recebo esse texto que diz taaaaaanto do que estou sentindo. Porque será que ao invés de só complicar, as coisas não facilitam um pouco?!

Já era

Nunca sabemos ao certo quando deixamos de ser importantes.

É triste perceber que quem tanto me importa não olha por mim, apenas me vê. Não altera em nada sua lista de prioridades quando preciso de socorro, atenção. Apenas (depois, sempre depois) desculpa-se. Diz que as coisas estão complicadas. Está constantemente ocupado, atrapalhado. Sempre se sai com ótimos motivos para não ter ido, feito, acompanhado. Conhece meus gostos, minhas neuras, o porquê do riso rasgado. Sabe o número do meu telefone, onde vivo, mas mora num outro universo, do qual não tenho o endereço, nem pertenço: é péssimo notar que sou pouco para quem é muito pra mim.

E não se trata de desdém, nem de rancor. É mais sutil e menos óbvio, por isso tão doído (sei que o carinho existe, mas anda tímido). Pode até me surpreender com telefonemas, e-mails, conversas à toa, mas não está presente nos momentos críticos da minha vida. Torna-se incomunicável, desaparece. Não fica ao meu lado. Não pega o lenço para que eu possa continuar chorando, sem medo de julgamentos. Não traz da cozinha a garrafa da minha bebida preferida para comemorarmos. Não me abraça quando faltam palavras, não me afaga quando elas não bastam. Sei que aquela pessoa, tal qual a recordo, existiu, só não sei em que ponto deixou de ser real para se tornar um holograma da minha mente. Uma suspeita de surto: será que me enganei desse jeito? Talvez não tenha me enganado, apenas o tempo nos tenha tornado diferentes demais e já não andemos na mesma direção.
Talvez.

A vida acaba nos trazendo, inevitavelmente, amigos assim (que chamamos “amigos” por desconhecimento de termo mais adequado). Amores assim. Pessoas que estiveram conosco, compartilharam e construíram nossa história, mas que, sabe-se lá quando e por que, descompassaram. Alguns até continuam presentes, mas jamais estiveram tão ausentes. Outros fazem questão de dizer o quanto somos importantes, especiais, e eis um alerta que não ignoro: sempre desconfiei de quem fala “Você pode contar comigo”, “Qualquer coisa, me liga”, “Nunca vou te esquecer”. Isso se mostra calmamente, no dia-a-dia, não se legaliza numa promessa. É preciso tempo, e é só com ele que saberei se essas palavras significam algo ou são mera formalidade. Me mostre que eu posso contar com você, não me diga isso.

Talvez percamos o sentido de existir na vida de algumas pessoas, por mais importantes que tenhamos sido (ou que supomos ter sido). Nossa permanência torna-se oca de significado. Desbota. Gradualmente, sumimos. E não há nada de errado nisso. De triste, sim (todo fim é triste), mas não de errado: não dá para exigir ser amado. Errado é mantermos à nossa volta, atrelados a nós por compulsão ou necessidade de companhia, quem não tem mais nada a nos oferecer. Para quem oferecemos tão pouco.

Quantos sinais são necessários até compreendermos que já não nos importamos com alguém?

Partir é inevitável.

terça-feira, março 6th, 2007

Um dia abandonaremos o conhecido, seja impulsionados por insatisfação, necessidade ou desejo. Em algum momento chegará o fim da inocência escolar, da proteção da casa dos pais, do conforto de um abraço, do calor de um beijo, de um casamento falido, do emprego insatisfatório, da vida. Querendo ou não, partiremos. É a única certeza verdadeira. A grande certeza.

Partir é essencial. Por mais que tenhamos consciência do que, de quem, nos cerca, os fatos, detalhes ínfimos e tão importantes, pessoas, lugares, cheiros, músicas, só se tornam especiais ao virarem história; a velha mania tão humana de valorizar apenas o perdido. Ou o vivido.

Partir é a coragem de abandonar o mapeado e rumar para o incógnito, sem trilha marcada nem estrada pavimentada. É curtir o nó no estômago diante no novo, essa paisagem tão bela e pouco apreciada.

Partir nos faz mais fortes, curiosos, atentos. Atiça os sentidos. Ficamos menos dependentes e nos livramos dos grilhões (para alguns, confortadores) do familiar. Partir causa movimento porque, assim como água parada apodrece, nós corremos o risco de virar rascunhos de nós mesmos ao acostumar com a estagnação. Nada é mais perigoso do que ficarmos satisfeitos com o medíocre.

Partir pode doer para quem fica, mas não mata. Ao contrário, cria infinitas e novas possibilidades de histórias a serem desenhadas com quaisquer cores (ou ausência delas para os mais melancólicos) numa folha em branco. Num futuro todo. Numa existência plena.

Viva cada história até o último detalhe, tome até a última gota de todos seus momentos porque não há nada mais reles do que abandonar a vida por covardia, esconder-se dela detrás de falsos motivos. Não há nada mais deprimente do que alguém que finge partir quando, na verdade, está fugindo. Furtar-se a viver plenamente com toda a dor, alegria, tristeza, desamores e paixões é o mesmo que não ter nascido.

Mas vá, se sentir que precisa ir. Vá, se o que o move é impossível de domar. Não deixe o medo paralisá-lo. Ignore os que não entendem, criticam, alertam, amedrontam porque esses, enquanto você segue seu faro, escrutina o desconhecido, permanecerão no mesmíssimo lugar. Criarão musgo, não sairão do decadente quarteirão da resignação—e isso sim é assustador.

Por isso tudo, estou indo.

Escrito por: Ailin Aleixo