Archive for agosto, 2009

Teatro de mulherzinha

quinta-feira, agosto 20th, 2009

Eu nem sabia direito o nome da peça, mas fui chamada pelas meninas e um convite de teatro, shows, cinema, ou qualquer evento cultural, é raramente recusado por mim.

Além da companhia boa, os atores eram Nicette Bruno e Paulo Goulart e o título eu sabia que era algo que me chamava atenção. Chegando lá entendi, o título era “O homem inesperado”, e tudo que envolve qualquer coisa assim; acaba chamando atenção de mulher, seja ela romântica ou não (como no meu caso).

Confesso que achei a peça meio monótona. É bonitinha e trata de muitos assuntos que nos fazem pensar bastante coisa. Aborda assuntos diversos como; comportamento, amor, trabalho, desejos e as expectativas que todo o ser humano acaba criando em relação à outras pessoas.

Na história, Marta está viajando de frente para o seu ídolo. Durante toda a peça é mostrado os pensamentos, desejos e aflições de Marta em relação ao seu escritor favorito. Já o escritor por sua vez, acaba fazendo também, em seu pensamento, diversas analises sobre sua vida, seus livros, comportamento humano e até sobre a senhora sentada a sua frente, a Marta.

Os atores são ótimos, e mesmo no inicio eu ter desabafado que a peça seja um pouco monótona, é muito bacana ver como eles seguram o espetáculo inteiro em um revezamento de monólogos. Não é coisa fácil não.

Me identifiquei um bucado com a peça, nem preciso dar maiores explicações, e sai de lá com a sensação de alívio como se muita coisa dita ali no palco fizesse parte de desabafos meus. Saí leve, e com uma sensação deliciosa que o teatro quase sempre nos proporciona.

E os sinos, eles tocam.

terça-feira, agosto 18th, 2009

Depois de muitos papos com Maíra Viana, troca de tweets, etc; resolvi ir pra São Paulo assistir a estréia de sua peça chamada “Sinos Imaginários”, e aproveitar a oportunidade para ver alguns amigos de Sampa que gosto muito.

Confesso que não esperava muita coisa da peça, conhecia os textos de Maíra, mas tinha receio de sua estréia como autora de peças. Além disso, sabia que a arte independente e o inicio de uma carreira é algo bem complicado e tinha medo de como se daria isso. Não sou pessimista, sou apenas um pouco São Tomé demais.

Sentei bem na frente do palco bem baixo, analisei a montagem do cenário tentando prever o que seria mostrado pra mim naquela noite. Querendo prever, na verdade, o imprevisível. E não demorou muito pra luz apagar e começar a tal viagem dos “Sinos Imaginários.

Todo o lugar, as pessoas e a peça principalmente, me fizeram ficar estática e mergulhar naquele mundo de sentimentos. Era o dedo na garganta, na ferida, na alma. Foi uma terapia em público. A cabeça queria pensar várias coisas, e ao mesmo tempo não conseguia parar de prestar atenção na história.

A cada cena a vontade de guardar uma frase, de registrar um aprendizado, um conselho, ou de parar e dizer “oi, eu sei muito bem o que é isso”. Foram socos atrás de socos no estômago, quase um nocaute.

No final da história, não um final feliz ou uma tragédia grega, mas uma conclusão, um amadurecimento e, principalmente, um incentivo.

A peça é ótima e trata com uma sensibilidade indescritível, de todos os sentimentos humanos.

Maíra Viana conseguiu o que poucas coisas e pessoas conseguiram de mim; eu cheguei muito perto de chorar. E, pra quem me conhece de perto, sabe muito bem que pra eu chorar assim; precisa acontecer um milagre.

Fica aí…

domingo, agosto 16th, 2009

Fique aqui, eu esperei demais por isso, não permita que acabe. Fique aqui, não fuja agora do meu mundo tão sorridente. Fique aqui e me deixe em cores, viva, de olhos brilhantes e coração suave. Fique aqui, ou me deixe pelo menos indícios da sua volta. Fique aqui, e fique visível, porque eu sempre achei que tudo isso dependesse da minha inciativa, mesmo sabendo que a primeira veio de você. Fique aqui só até eu criar segurança. Eu já estou criando, mas ainda preciso de um pouco mais de tempo. Fique aqui para eu não esquecer das coisas que você disse e pra estocar toda essa sensação que você me passa. Fique aqui mais um pouco, toma um café, acenda um cigarro e espera só eu engrenar. Fique aqui, vou fazer um bolo enquanto você olha essas fotos. Fique aqui e me prove que não passo de uma tonta. Fique aqui, eu tenho medo do vazio que você deixará se for embora. Fique aqui e me abraça forte, quero sentir seu cabelo no meu rosto.

Dona Flor e seus dois Maridos

sábado, agosto 15th, 2009

Fomos assistir, sob o convite de Fernanda Paes Leme, o espetáculo “Dona Flor e seus dois maridos”, no Teatro Coliseu em Santos. Na ocasião estava Mayra, Cláudia, Priscila, João e eu.

O romance escrito por Jorge Amado acabou virando minissérie de TV e também peça teatral. E, essa montagem com Fernanda Paes Leme, Marcelo Faria e Duda Ribeiro ficou realmente muito bacana.

O romance mistura um pouco de comédia e drama e mostra a história de Flor e sua vida amorosa um tanto conturbada com um marido falecido que era um boêmio sem salvação, mas que lhe dava prazeres e um marido que é um exemplo de homem, mas acaba não lhe satisfazendo sexualmente.

Há uma cena de nu frontal feita por Marcelo Faria. Não tinha como não comentar, e não é por sacanagem, afinal a cena foi muito bem colocada e principalmente muito bem feita pelo Marcelo. Nunca vi com outros atores, mas na minha cabeça ele é realmente o mais indicado mesmo para o papel de Vadinho.

A peça é muito bem iluminada, os atores todos, dos principais aos figurantes, são ótimos. A trilha sonora é uma delícia e o figurino e o cenário são bons também.

Eu recomendo fortemente a peça. Vale a pena!

Devagarinho…

sexta-feira, agosto 14th, 2009

E bem devagarinho a gente muda mesmo. Mudam os ares, as cores, os sons e os sonhos. A graça muda, se transforma em outra. E aquela outra, fica toda sem graça. Bem devagarinho as necessidades se alteram, o brilho nos olhos se transformam, o amor redimenciona. Bem devagarinho mudam-se os hábitos, os sorrisos, os cabelos, as estações. Bem devagarinho a terra gira, a lua muda, a flor nasce, a barriga cresce, o moço envelhece, a criança amadurece. E bem devagarinho, eu me transformo, desabrocho, transito. Bem devagarinho mudo o “não” pelo “sim”, o “tchau” pelo “oi”, o “sai” pelo “fique”, o “te odeio” pelo “eu te amo”. Eu bem de vagarinho tiro a armadura, sinto um mundo ao meu redor. Bem devagarinho eu me entrego, desacelero, tiro a mão do freio.

Bem devagarinho, sem pressa, sem promessas, sem expectativas, eu mudo; todos os dias…

Ceumar

quinta-feira, agosto 13th, 2009

Descobri que teria show da Ceumar no dia 2 de agosto no SESC em Santos. Na hora lembrei de uma grande amiga, e sugeri que fossemos assistir o show. Eu lembro bem quando ela veio toda feliz e contente contar das músicas e de um programa que viu, se não me engano na TV, e ficou fascinada.

Chegamos no SESC e logo que entramos no Teatro, já gostamos do palco, do cenário do show. Não demorou muito e assim que nos acomodamos, o show começou.

O show é lindo, e fazia tempo que eu não via um show diferente assim. Já estava com saudades de boas novidades dessas.

Além de cantar muito bem e com um jeito todo peculiar de ser, Ceumar dialoga com o público o tempo inteiro através das músicas. Quase o tempo inteiro sozinha no palco, Ceumar toca violão, canta e consegue manter o público atento.

As músicas são simples, falam de coisas comuns misturadas com algumas coisas sentimentais, místicas, etc. Ceumar canta o cotidiano, os sentimentos, o amor.

Em um momento do show Ceumar convida um de seus parceiros de música, outro momento conta sua história e em outro, Ceumar anda pelo público tocando e cantando.

Você sai do show leve, com um bom astral e com a sensação de que o público e a cantora ficariam ali ainda por horas a fio. E eu, ainda confirmei que pela Ceumar ela não sairia do palco se não fossem as regras.

Se tiver oportunidade, veja. É no mínimo uma experiência gostosa.

Entre quatro paredes

quarta-feira, agosto 12th, 2009

Estava tão distraida com seu novo brinquedo que nem percebeu os primeiros sopros. Cantarolava pra lá e pra cá no seu mundo de quatro paredes. Estava ocupada realizando sonhos e não tinha tempo pra mais nada. Com sorriso maroto nos lábios, olhou pelo vidro transparente da porta e viu o sol brilhando lá fora. Se lembrou daquela brisa suave que dá no outono. Distraída, esbarrou no trinco da porta e nem percebeu a peripécia. Jamais perceberia. Voltou vibrante aos sonhos, e se esqueceu do mundo, do sol, da brisa. De repente, sem aviso prévio, e sem ensaios; ali estava novamente a brisa. Ventando seu rosto, e esvoaçando seus cabelos. Surpresa e com o coração aos pulos, virou em direção à porta e notou que esta estava escancarada. Fechou então os olhos e deixou que aquela brisa suave preenchesse todo o seu mundo de quatro paredes.

Estações do Olhar

terça-feira, agosto 11th, 2009

Sábado fui à universidade Santa Cecília, conferir a exposição de quadros da minha ex-professora de design gráfico; Márcia Okida.

Já conheço um pouco o trabalho de Márcia, que adora lidar com cores, formas, músicas, poesias e sensações. Sempre gostei do colorido dela. Eu, particularmente, sou apaixonada por cores e pelo colorido. Sabia eu, principalmente pelo convite, que seria uma exposição no mínimo interessante.

Sai de lá apaixonada!! Os quadros são lindos, ou pelo menos são do meu gosto. As formas, as cores, as delicadezas. Se pudesse levaria todos pra casa, cada qual pra um cômodo, uma sensação, um estado de espírito diferente.

Olhei toda a exposição pelo menos umas três vezes. Duas, acompanhada dos amigos, e uma sozinha; pra olhar e interpretar cada figura e cada cor. Ao lado de cada quadro um Haicai, alguns eram perfeitamente as traduções das imagens, outros nem tanto.

Sai de lá mais alegre do que já estava. Foram as cores, as poesias e lógico; os sorrisos que por lá avistei também.

Eu recomendo pelo menos uma dose, da exposição da Márcia no seu dia.

Doce Deleite

domingo, agosto 9th, 2009

Fomos assistir mais uma peça (sim, estou numa maratona teatral), e dessa vez foi Doce Deleite com Alessandra Maestrini e Reynaldo Gianecchini.

A peça teria possibilidades de ser muito bacana. Mas ela não conseguiu ser. Aborda diversos assuntos de deleites, e entre eles o próprio teatro, além de alguns assuntos mais picantes. É mesmo como um ensaio aberto, como diz em uma das cenas.

Do inicio ao fim ouvi muitas risadas da galera, apesar de poucas das piadas serem realmente engraçadas. Faltou bastante química entre Reynaldo e Alessandra e em um todo a peça não me deixou nada pra que eu levasse pra casa (aprendizado, pensamentos, etc) e por isso me sinto na liberdade de dizer que ela é vazia. E a desculpa de ser uma comédia não cola, porque existem diversas maneiras de aproveitar isso.

Nunca fui lá muito fã de Reynaldo Gianecchini, já cheguei a gostar muito de algumas entrevistas dele, mas isso nunca mudou a opinião de que Gianecchini sempre foi um ator bem do ruinzinho. Não é preconceito em relação de ser um modelo que virou ator não, eu realmente acho ele sem expressão. E quanto a beleza dele, eu nem opino porque sei que meu critério de beleza física é totalmente fora do comum.

E, a Alessandra Maestrini além de não me chamar também muita atenção; ela estava fazendo algo não muito diferente do que ela costuma fazer, por exemplo; no Toma Lá Dá Cá. Que aliás, já perdeu a graça faz um tempinho. Apesar de ter escutado que a Alessandra Maestrini estava “engolindo” o Gianecchini no palco, eu reforço a idéia que ali ninguém engoliu ninguém. Giane é ruim mesmo, e Alessandra Maestrini além de não ser boa, estava estreando na peça e talvez por isso senti ela pouco familiarizada com o palco ou com a peça em si.

Outro ponto negativo é que os atores ainda por cima usam microfone durante a peça inteira. Horrível isso, ainda mais quando você está em uma fase de assistir várias peças e acaba comparando umas com as outras.

As musiquinhas foram agradáveis e o palco eu achei que foi bem utilizado. Achei legal também a participção dos contra-regras e algumas caracterizações estavam bacaninha também.

O que valeu mesmo foi a companhia, o meu bom humor, e por ser uma peça bastante engraçada.

Só veria novamente mesmo, se fosse com a Camila Morgado. Por curiosidade de vê-la no papel mesmo, sabe?

* Esse texto foi arrumado, devido a pedidos.

Até conseguir

quinta-feira, agosto 6th, 2009

Eu vou continuar tentando. Vou tentar tampar cada vão, vasculhar cada fresta, cada buraquinho. Eu vou voltar a fita quantas vezes precisar, e ver em qual parte da cena foi dita a fala ou o gesto errado. Vou sondar os Deuses, perguntar para as estrelas, e vou jogar uma garrafa no mar. Eu vou continuar tentando. Vou juntar os cacos quebrados, colar tudo com super bonder. Vou enfeitar as ruas, as casas e o céu. Eu vou continuar tentando, entendeu? Vou cantar músicas lindas, escrever textos sorridentes, falar palavras suaves. Eu vou continuar tentando, juro! Vou prestar mais atenção, vou dar mais bom dia, vou sorrir mais, vou beber menos. Eu vou continuar tentando. Até descobrir se você se perdeu, se eu me perdi, se você me perdeu ou se quem te perdeu fui eu.