Archive for março, 2011

Na Minha Contra Mão

sexta-feira, março 25th, 2011

Esse post é um pouco diferente. Você pode ouví-lo, clicando abaixo, ou então lê-lo normalmente! Cabe a você, leitor, escolher!

 

Iza Freitas – Na Minha Contra Mão

 

Ah! Agradeço à Bruna Mata, pela bela interpretação!!!

 

Nunca fui lá muito boa de localização. Desde pequena me perco pelo caminho. Não sei nunca em que rua estou e muito menos qual delas devo virar pra chegar no destino desejado. E assim sou com meus sentimentos. Nunca sei a hora certa e a errada de sentir as coisas. Eu sempre sofro nos meus momentos felizes porque sei que irão passar. Eu fico calma quando todos se desesperam e me desespero quando todos estão calmos. Eu sempre prefiro comer leite condensado antes da comida, do que depois; de sobremesa. Eu nunca choro quando sinto vontade, sempre choro depois que já passou tudo. Quando estou em pânico eu fico muda ao invés de gritar. Eu sempre calo o que queria falar, e falo o que queria calar. Eu quebro todos os pactos que faço comigo mesma. Sempre me atrapalho pra rezar; começo Ave Maria e termino no Pai Nosso. Eu nego abraços que queria aceitar. Eu faço charme quando quero agradar. Não sei telefonar e fico angustiada pra desligar quando me ligam. Eu nunca olho por onde ando, e sempre quase me jogo de alguma escada sem perceber.  Sempre tem uma escada no meu caminho, em todos os sentidos. Eu nunca sei meu caminho. Não sei qual a rua da vida que eu sempre viro errado. Tudo que eu quero antes de todo mundo; os outros realizam e eu não. Eu sempre quero algo material, mas quando ganho dinheiro acabo nunca comprando. Eu sempre sofro a tristeza dos outros, às vezes até choro por isso. Às vezes eu acho que dramatizo muito, às vezes acho que dramatizo é pouco; isso sim! Eu queria fazer psicologia e me formei em Jornalismo. Eu tenho medo de freqüentar psicóloga e achar mais problemas ainda. Eu finjo gostar das coisas pra agradar quando eu deveria ser sincera, e sou grossa demais quando eu deveria fingir gostar. Eu sempre brigo com quem eu amo, quem eu odeio eu sou educada. Eu não gosto de chocolate, mas como um suflair inteiro quando estou de TPM. Eu sempre me apaixono por homens estranhos. Eu não sei guardar segredos que são meus, só dos outros. Eu morro de vergonha com demonstrações de afeto, mas fico desapontada quando não recebo nenhuma. Eu já não sei pra que lado me atiro. Nem mesmo sei se devo me atirar. Sempre que meus machucados estão muito doloridos, eu faço uma tatuagem nova pra sentir uma dor que veio por escolha minha. Eu sou de opinião, mas acabo sempre fazendo a opinião dos outros. Quero aumentar meu mundo, mas ele só diminui. 54% da minha vida não é de verdade o que sou ou o que penso e gostaria que fosse. Estou no meio de uma avenida com várias ruas pra virar e não sei pra que rua a vida vai me levar. E isso me dói.

 

Constatando-me

domingo, março 20th, 2011

No domingo passado, 13/03, uma amiga minha que mora nos Estados Unidos; passou aqui em casa para nos vermos! Veio ela, os pais e o filho dela de um ano.

 

Foi um momento delicioso, porque eu a conheço desde que tenho 13 anos de idade. Estou prestes a fazer 30 anos, e aí a gente vê que tem história pra caramba nessa amizade aí. E tem mesmo, todas elas muito gostosas de lembrar!

 

Não é sempre que a vejo, e pra falar a verdade nossa amizade foi toda construída fora da internet e por isso não temos lá muito costume de papear no MSN ou seja lá o que for! Geralmente é tudo muito de passagem, só pra ter certeza que está tudo bem com uma e com a outra.

 

Em fevereiro, reencontrei no Rio de Janeiro, uma amiga que conheço desde os meus 11 anos de idade. Olha aí mais quanto tempo de amizade! E o reencontro se deu como se nos vessemos quase todos os dias, ou pelo menos uma vez por mês! E acredite, não é o que acontece.

 

Nos vemos quase de quatro em quatro anos e sempre de surpresa. Nos esbarramos em algum barzinho da cidade, ou até mesmo em formatura; uma sem saber que a outra iria! Mas todo encontro, sempre muito afetuoso e  divertido! Todos com aquela vontade de ter mais tempo, mais papo, mais tudo aquilo que quase nunca se tem na hora!

 

Dessa vez, o reencontro no Rio de Janeiro foi programado. Começou no facebook e acabou em uma deliciosa noite de conversa no restaurante Outback. E o mais gostoso de tudo, foi sentir que toda aquela intimidade e sintonia; não mudaram nada desde aquela época.

 

Nesse último final de semana, encontrei um amigo que já passamos por muitas coisas loucas e que já me fizeram ter certeza que nunca mais seríamos o que somos hoje. Estar na companhia desse amigo é sempre muito gratificante, pelo simples fato de poder sentir que com todas as ventanias que já enfrentamos; acabamos sempre conseguindo que a brisa suave sopre entre nós.

 

E o meu maior orgulho é esse; saber que mantenho contato com os amigos de ontem, hoje e sempre! Sem perder o jeito, sabe? Posso dizer que tudo flui bem desde os amigos de quando eu tinha 10, 11 anos, até os de hoje em dia!! Os que conheci no colegial, na rua, na faculdade, na internet, tudo!!!

 

E o mais legal, é que nunca cataloguei amigos. Se deixar eu misturo tudo no caldeirão e deixo a coisa ferver!!! Porque eu gosto mesmo é de ter todas as pessoas ao meu redor. Não importa onde e como nos conhecemos, mas sim a amizade que nutrimos.

 

Se tem uma coisa que me faz sorrir e sofrer, é algo que envolva a amizade. Eu sou uma pessoa que posso ter o defeito que for, pode me xingar do que quiser nessa vida! Mas se tem algo que eu sou e que eu realmente valorizo; é o termo AMIGO!!

 

E ao mesmo tempo em que tenho alguns momentos maravilhosos como esses reencontros com pessoas tão queridas, eu também acabo sofrendo e entrando em conflito com a visão dos outros sobre a tal da amizade.

 

Já fui uma pessoa 8 ou 80 com relação a amizades, ou era realmente amigo naqueles padrões que eu considerava, ou então não era ninguém na minha vida de menina blasé. Pra mim não servia (e na verdade ainda é difícil) amizades que eu considerava pela metade! Eu queria era o pacto de sangue!

 

Hoje em dia melhorei muito, eu confesso, mas ainda tenho lá os meus conflitos internos; que acabei por não expor mais pra não entrar em discussões desnecessárias e sem muita solução. Hoje prefiro acreditar que do mesmo jeito que preciso me adaptar ao próximo, preciso me adaptar a mim mesma. Saber que algumas coisas irão me machucar, devido às minhas expectativas e minhas formas de sentir.

 

Ainda acho absurdo quando apenas um lado rega a amizade. Ainda acho absurdo quando ouço expressões de “eu sumo e reapareço” (acho conveniente demais!). Ainda acho absurdo quando um lado só fala, e um lado só escuta. Ainda acho absurdo quando há “esforço” só de um lado. Ainda acho absurdo quando um lado é mais incondicional que o outro.

 

Mas, aprendi que somos responsáveis mesmo por aquilo que cativamos. E que ninguém tem direito de cobrar aquilo que nasceu pra ser voluntário, espontâneo. E que temos que ser o que somos e arcar com as conseqüências, cedo ou tarde.

 

E mesmo com todas as coisas que eu já aprendi, e que sei que ainda vou aprender muito, eu vou continuar sempre sendo fiel aquilo que eu acredito.

Soum

domingo, março 13th, 2011

Dedilho palavras que não direi
Sou música muda, de um silencio só meu
Sou trilha sonora de um filme de amor que nunca estreou
Sou luz que penumbra o foco teu
Sou instrumento nunca tocado
Sou batuque que matuta o inabalado
Sou palavra não musicada
Sou silêncio gritante no ouvido surdo
Sou sol, lá, “se”, dó de mim re-tenho-mi então

Tô amando

quarta-feira, março 2nd, 2011

De repente tudo aqui tremeu. Cai no chão, de bunda, sentada, e não sei como levantar. Tô amando o que é fácil amar. Tô amando a coisa mais difícil do mundo. Tô amando amar. To amando o que sempre quis. Tô amando e morrendo de medo de sangrar. E eu vou sangrar. Eu sempre sangro. Dessa vez será pior. Como também já é sem dúvidas a melhor. Tô amando e to louca pra gritar. Tô amando e vou calar. Dessa vez não vou nem comentar. Tô amando e você não vai nem desconfiar. Tô amando e só. Tô amando e sentindo falta. Tô amando e me inspirando. Tô amando sim. Tô amando assim. Você lá e eu aqui. Tô amando só, como sempre foi.