Archive for abril, 2011

Presente

sábado, abril 16th, 2011

E de repente um poeta me fez poesia. Eu já nem sei mais como foi que nos conhecemos e nem quando foi que ele passou a decifrar a minha alma. Mas tudo tornou-se diferente quando ele passou a ler minhas linhas, entrelinhas, meus pontos, vírgulas e meu interior. Ele passou a fazer tradução de quem eu era, pra que eu mesma soubesse. E escrever depois que ele apareceu, passou a ser menos dolorido e mais inspirador. Não que não doa, porque qualquer sentimento que for verdadeiro; dilacera. Mas com a presença dele a dor fica bonita e sempre surge um sorriso confortante perdido pelo ar. E ele me veste de mulher, aquela que eu não sei ser direito, todos os dias e brinca me trazendo sorrisos toda vez que enaltece  minhas linhas. Ele me chama de bailarina, sem nunca ter sabido o quanto eu quis ser uma. Ele é minha inspiração mais pura e minha massagem mais deliciosa.

 

D de divino, assim que ele é pra mim!

Vento de temporal

terça-feira, abril 5th, 2011

Vento de temporal – Por Iza Freitas e narração de Bruna Cavassani

 

De repente venta temporal naquele salão da menina bailarina. Ela, que continua passando os dias com portas e janelas escancaradas, de repente é surpreendida por ventos de temporal. Molha tudo por onde dança a menina do vestido colorido. O chão fica escorregadio e a menina se arrasta segurando em paredes pra lá e pra cá do salão. Desorientada a menina pensa em fechar portas e janelas. Mas sabe que já não sobreviveria mais trancafiada no escuro que já vivera por tanto tempo. A menina então se segura nas paredes e busca incansavelmente um modo de conter esse vendaval. Por vezes ela senta bem no meio do salão e reza, em meio à ventania, pra que o dia seguinte amanheça azul, e os ventos virem brisa suave que sopram seu ballet. A menina reza pra que a música torne a tocar embalando seu sorriso.