A receita.

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir
Não grite comigo que eu tenho o péssimo hábito de revidar
Acordo pela manhã de ótimo humor mas permita que escove os dentes primeiro
Toque muito em mim, principalmente nos cabelos
E minta sobre minha nocauteante beleza
Tenha vida própria
Me faça sentir saudades
Conte umas coisas que me façam rir mas não conte piadas
Viaje antes de mim
Sofra antes de me conhecer
Eu saio em conta, você não gastará muito comigo
Acredite nas verdades que digo
E nas mentiras, elas serão raras, mas sempre por uma boa causa
Respeite meu choro
Me deixe sozinha, só volte quando eu chamar
E não me obedeça sempre, que eu também gosto de ser contrariada
Odeie vida doméstica e os agitos noturnos
Me enlouqueça uma vez por mês
Goste de música e de sexo
Goste de um esporte não muito banal
Não invente de querer muitos filhos e me carregar pra missa
Deixe eu dirigir seu carro, aquele carro que você adora
Quero ver você nervoso, inquieto
Tenha amigos e digam muitas bobagem juntos
Não me conte todos os seus segredos
Me faça massagem nas costas
Não fume,beba,chore
Eleja algumas contravenções
Me rapte
Se nada disso funcionar…
Experimente me amar…

Pode parecer clichê, mas acho que NUNCA eu encontrei receita melhor. É fácil me agradar!

2 Responses to “A receita.”

  1. Rodrigo Says:

    hehe é o FILTRO SOLAR II

  2. Marilia Says:

    Esse belo texto é da escritora gaúcha Martha Medeiros e chama-se “Eu, modo de usar:” O que é bom, tem que citar o autor, não acha? É tão fácil achar autoria… (depois do Google, não existe mais “autor desconhecido”). É só colocar nele uma frase qualquer do texto, entre aspas, e…záz! Em poucos segundos, temos várias opções de resposta sobre o nome do autor(a).

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