Filhos…

Dizem que com o tempo, a gente acaba se adaptando com o que nos é possível. Na minha época mais inconformada, uma estrofe de uma das músicas dos Engenheiros não fazia tanto sentindo e, pra falar a verdade, me dava até certa revolta, um ar de conformismo

“Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter”

Mas isso com o tempo vai se fazendo verdade, e no fim das contas não se trata mesmo de conformismo ou algo assim. O que rola é que somos produto do meio, e vivemos de acordo com nossa realidade. Mas nada disso é segredo, nem mesmo novidade. E, o que eu vim falar tem a ver com isso e não tem. Sei lá ué.

O fato é que tive uma fase onde eu queria muito ser mãe. Eu sabia como meu filho seria, o nome que eu daria e como criaria. Já estava tudo programado na minha cabeça, só me faltava a oportunidade de ter essa criança. Mas com o tempo, acabou que por diversos motivos essa idéia foi enfraquecendo tanto que hoje em dia eu tenho a convicção que não tenho a menor vocação para ser mãe.

No final das contas, eu não tenho a menor paciência para crianças, além de não achar graça e de ter horror a criança dos 5 aos 15 anos. Não teria muito saco para educar uma criança e acharia isso uma responsabilidade do tamanho do mundo se tivesse um filho meu. Acho que cada um tem sua índole e que não somos 100% fruto da criação dos pais, mas me assusta demais essa cobrança e esse julgamento. Além disso, sou fria demais para brincadeiras de faz de conta e toda desregulada emocionalmente pra poder ser racional e emocional nas horas certas. Não daria certo, de jeito nenhum!

Por ironia do destino acabei ganhando não uma filha minha, mas sim uma sobrinha. E, por mais ironia ainda, a menina é completamente grudada em mim. Logo eu, que não fico 3 horas dando atenção, que não tenho saco pra brincar de bonequinha e que andei dando meu grito de liberdade pra não mais deixar de sair por causa dela. E enfim, a menina veio pra mostrar um pouco das minhas ações e reações perante a uma criança e a um amor quase tão grande quanto de um filho.

Isso tudo só comprovou o quanto, independente de outros motivos muito mais relevantes, eu realmente não tenho a tal da vocação ou do instinto materno que as mulheres possuem. Por outro lado, também reforçou bastante convicções que eu tinha quando sonhava em ter um filho meu e mostrou muita coisa que talvez eu não sabia.

Diversas coisas são responsáveis pra que eu tenha determinadas atitudes com minha sobrinha, mesmo as que faço sem concordar muito. Além do que, não sendo mãe, não está incluído no meu papel o dever de educar. Mas que criança é um brinquedinho complicado, e que vem pra quebrar todas as suas idéias e deixar você de quatro, isso não deixa de ser um pouco verdade. Criança é praticamente um monstrinho, principalmente quando te diz

_ Você tem que ficar comigo, nós temos que ficar juntas (e dá um abraço, com aquela cara mais “eu sou um anjo” do mundo).

Isso racha qualquer coração de pedra, até mesmo o meu =(

2 Responses to “Filhos…”

  1. Greice Says:

    Eu ajudei a criar meus 3 irmãos… com vc vê o guri com 17, maior do que vc, criando bigode e responsabilidade, é divino! Mas confesso que eu tbm não tenho muita paciência com determinado período de idade… tem idade que poderia ser pulada! Não sei não quando for a minha vez de ser mãe de verdade, e não mãe de filho dos outros….

  2. Silvia Odete Morani Massad Says:

    Nice answers in return of this query with real arguments and explaining all
    on the topic of that.

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