Quero – Carlos Drummond de Andrade

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Esse poema de Carlos Drummond de Andrade quem falou um trecho dele foi o Willam Bonner no GNT, e a parte final ficou ecoando na minha cabeça, estava ali naquele texto; o meu pior defeito (ou um dos piores) e lendo o poema inteiro, vi o quão eu posso me identificar com essa insegurança toda!

4 Responses to “Quero – Carlos Drummond de Andrade”

  1. Ju Says:

    li, gostei e concordo com vc. por que será?

  2. Ellen Says:

    Tbm vi a entrevista do Bonner, e esse poema não saiu da minha cabeça! Lindo né?? Vou rouba-ló…hahahaBjo

  3. Rodrigo Says:

    fiquei curioso de saber qual trecho que ele leu que te chamou atenção.

  4. Greice Says:

    Maravilhoso esse poema, tenho até guardado aqui em um word, mas não sei pq me trás melancolia!

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