Pigilógica

Desde jovem eu tinha o sonho de ser psicóloga, queria poder ajudar as pessoas com algumas palavras ou ajudá-las encontrar algum caminho pra o que fosse que elas sentissem. Além disso, sempre me interessei pelas atitudes humanas, pelo comportamento, pelas feições e o jeito de falar. Me  interessei sempre; até na minha fase, mais jovem ainda, de poucos amigos.

Sempre cismei em fazer amizades com as pessoas que me instigavam ou aquelas que de certo modo eram um pouco daquilo que eu não conseguia ser. Também sempre me acheguei naquelas pessoas que às vezes estavam sozinhas no canto da sala. Tudo que fosse um pouco incomum; atraia-me pela curiosidade do psicológico da pessoa.

Acabou que, qualquer tipo de coisa relacionada à área da saúde não me interessava nada. Essa coisa de estudar células, anatomia, químicas, etc foram umas das coisas que me fizeram esquecer a psicologia. Eu nunca quis compreender o funcionamento biológico das coisas, e tampouco tinha o interesse de medicar alguém. Meu único prazer na psicologia era entender e ajudar as pessoas.

Virei Jornalista quase sem querer. E a vida foi me jogando pra lados que, quem me visse com 9 ou 10 anos e visse hoje em dia, diria que eu sou uma outra pessoa. Aprendi a me relacionar com os outros e aprendi na minha área; artimanhas que pudessem me levar ao mundo dos humanos e conhecer diversos deles, um mais diferente que o outro.

Com todo esse meu vício de prestar atenção nas atitudes humanas e, inclusive, por ser deficiente física; acabei me deparando com o comportamento das pessoas para comigo. E isso foi se tornando tão interessante que acabei ficando com uma enorme vontade de desabafar aqui no blog um pouco das minhas analises sobre esse bicho humano, que convivemos diariamente.

É engraçado como existem pessoas que me relaciono em diversos graus de convivência e que isso muitas vezes não faz a menor diferença no comportamento delas comigo. Deixa eu explicar…

Tenho amizades de longas datas, com gente que não tem o menor jeito pra lidar comigo e com minhas necessidades. Pessoas quais eu convivo durante anos, mas que não sabem como me arrumar na cadeira e se atrapalham demais na hora de prestar qualquer ajuda. Não sabe mesmo, e não tem menor jeito de que um dia vai aprender.

Por outro lado, conheço pessoas que ao acabar de conhecer; já estavam me ajudando na cadeira, me alimentando e me tratando com a maior naturalidade mundo. Gente essa, que nem sequer pergunta “como posso ajudar?” a pessoa simplesmente faz como se já soubesse exatamente o que e como deve fazer.

Conheço também um terceiro tipo de pessoa: aquela que tem boa vontade, que aprende fácil, mas acaba cometendo algumas gafes justamente por tentar forçar  certa naturalidade que não está rolando.  Essas pessoas são ótimas; prestativas, de atitude, força, boa vontade, mas não conseguem esconder o “diferente”.

Tem ainda as que não me enxergam como deficiente, as que enxergam mas tentam disfarçar tanto que fica até engraçado, e as que não disfarçam porra nenhuma e te tratam como bonequinha de porcelana.

E dentro de cada tipo de pessoas, existe uma infinidade de variações que não caberia ficar classificando aqui incansavelmente.

Mas o fato é que não existe uma receita certa e nem tem como eu interferir muito no jeito da pessoa me tratar. Não tem como exigir naturalidade de quem não consegue agir desse modo, nem posso querer que todos sejam como o modelo X.

E essa diversidade de reações têm sido cada vez mais instigantes de ver.

7 Responses to “Pigilógica”

  1. Clarissa Says:

    Admito que fiquei me perguntando em qual categoria eu me encaixo!!!

  2. Yoh Says:

    Me identifiquei muito com isso flor, também fico pensando nisso! Posso dizer que meus amigos e meu namorado não me enxergam como deficiente, ou pelo menos, não como coitada! Até a minha mãe melhorou com os anos, hoje vejo o cuidado dela como o de uma mãe normal, principalmente por eu ser filha única!

    Beijão ;*

  3. Rodrigo Says:

    Também fiquei pensando em qual categoria será que me encaixo.
    Não existe um jeito ‘certo’ de alguém tratar alguém, contando que tenha como requisito o respeito. Os diversos trejeitos, dificuldades e facilidades, vão de cada um, vai de personalidade de cada um, e não tem um que é mais certo que o outro, apenas um que te agrada mais que o outro ou surpreender por apreender a arrumá-la na cadeira tão rápido (fato esse que ao longo dos anos vejo cada vez mais que muito te significa, já que há anos comenta sobre esse episódio). Cada um tem seus méritos e dificuldades, e é engraçado mesmo notar o comportamento de cada um, afinal, é isso que torna todo mundo diferente.

  4. Marhii Muñoz Says:

    Poxa, amei e me identifiquei muito com o texto, não por te conhecer e como alguns que refletem em qual grupo me encaixaria.. Mas por pensar desta forma, embora não tenha uma deficiência aparentemente, mas com consciência que sou e tenho minhas limitações em diversas áreas assim como todos. Já adulta descobri que tenho DDA o que me ajudou a entender muitas coisas que me acontecem.. Em determinada época quis ser fisioterapeuta e no 5º período troquei para enfermagem e hoje sigo com o sonho da psicologia, estudo cada detalhe das pessoas que me cercam, o que me surpreende a cada novo dia. Amo ou vir, e escrever e falar sempre que dá.. rsrs Falei muito né?? Mas o que eu queria te dizer é que verdadeiramente amei esse cantinho aqui e desde já digo que irei vim mais vezes aprende!! Abraço querida!!

  5. Jojo Says:

    Depois c me conta qual categoria estou?

    Adorei esse texto. :p

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